Dentista preso por estupro de vulnerável: mais três vítimas denunciam abusos em Teixeira Soares
Mais vítimas denunciam dentista preso por estupro de vulnerável

Dentista preso por suspeita de estupro de vulnerável tem inquérito ampliado com novas vítimas

Após a prisão preventiva do dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior, noticiada recentemente, mais três vítimas procuraram a polícia para denunciar terem sido estupradas por ele. Com isso, o inquérito atual agora soma depoimentos de nove vítimas, sendo que a maior parte são familiares do acusado. Elas relatam terem sido abusadas quando eram crianças, durante reuniões da família na chácara dele, localizada em Teixeira Soares, uma cidade com cerca de 9,5 mil habitantes nos Campos Gerais do Paraná.

Histórico criminal e novas denúncias

O homem já é condenado por importunar sexualmente uma paciente no próprio consultório, em Curitiba, e também é réu em outra ação pelo mesmo crime, contra outra paciente. Luis Alberto foi preso preventivamente na terça-feira (3), após cerca de cinco meses de investigação relativa aos estupros de crianças e adolescentes. A primeira vítima procurou a polícia em outubro de 2025, o que encorajou outras cinco a também denunciarem o homem. Os depoimentos dessas seis motivaram o pedido da prisão preventiva.

Atualmente, as vítimas têm entre 27 e 40 anos, e todas contam que foram abusadas quando eram crianças e adolescentes, convivendo com a dor em silêncio por muito tempo. "É um silêncio muito pesado. Eu carreguei, durante anos, um peso que não era meu... por vergonha, principalmente", disse uma delas em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Investigações em andamento e defesa do acusado

O dentista permanece preso e, segundo o delegado Rafael Nunes, deve ser interrogado ao longo desta semana. De acordo com o policial, os relatos das nove vítimas são "consistentes e mostram um padrão de repetição dos crimes". Nunes também afirma que mais vítimas estão sendo identificadas, mas algumas não querem falar sobre os abusos ainda.

O advogado Felipe Petrin, que atua na defesa do dentista, pediu a liberdade dele, questionando a legalidade da prisão preventiva. O pedido argumenta que a prisão foi fundamentada em relatos antigos, o que, nas palavras do advogado, dificulta a análise de questões jurídicas. A defesa também aponta que não foram avaliadas na decisão da Justiça medidas alternativas à prisão.

Crimes e contexto profissional

Luis Alberto Pohlmann Jr. responde pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual. Ele possui um consultório em Curitiba. Em nota, o Conselho Regional de Odontologia confirmou que o dentista está com registro ativo, mas não informou se há, ou não, algum procedimento em andamento para investigar a conduta do homem, alegando se tratar de informação sigilosa.

Modus operandi e depoimentos das vítimas

O delegado Rafael Nunes afirma que Luis Alberto Pohlmann Júnior se aproveitava da confiança depositada nele - tanto como profissional, quanto como familiar - para cometer os crimes. As investigações também apontam que o homem usava sempre o mesmo "modus operandi": buscava ficar sozinho com as vítimas, ou agia de forma que outras pessoas não pudessem ver o que estava acontecendo.

Entre as vítimas ouvidas pela RPC, uma contou que foi estuprada na piscina, outra disse que o homem se aproveitou da desculpa de assistir a um filme para abusá-la por baixo de um cobertor, e outra relatou que ele a fez sentar no colo dele para mostrar um jogo. "Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada... Por muito tempo, eu achei que eu permiti [os abusos]. Porque quando você é criança, não sabe o que está acontecendo", disse uma das vítimas.

Todas relataram que o homem era muito querido e respeitado na família, tanto pelo jeito com que ele tratava os adultos, quanto pelo poder aquisitivo que possuía. "Eu espero que muitas vítimas se permitam a falar sobre isso [abusos], porque eu sei a sensação e eu quero que elas se permitam sentir o mesmo. Eu espero que elas se permitam parar de carregar esse peso que não é delas porque falar sobre isso é libertador! O silêncio não protege a vítima, ele protege o agressor", relatou outra vítima.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Como denunciar

Denúncias sobre este ou quaisquer outros casos podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou 181, do Disque-Denúncia. Se o crime estiver acontecendo naquele momento e/ou houver alguém em situação de perigo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.