O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tornou-se o próximo grande alvo das investigações da Polícia Federal, segundo apurações de investigadores. Diante desse cenário, dois ministros do governo Lula se reuniram com o chefe do Legislativo para assegurar que o presidente não tem responsabilidade sobre o que está por vir. A informação foi revelada por interlocutores do governo.
Encontro de pacificação
Os ministros José Múcio Monteiro e José Guimarães afirmaram a Alcolumbre que Lula não retaliará o senador pela derrota imposta a Jorge Messias na indicação ao Supremo Tribunal Federal. A mensagem implícita, segundo fontes, é que Lula não pode impedir o avanço da Polícia Federal. Os ministros chegaram a prometer um encontro entre Lula e Alcolumbre na próxima semana para uma sessão de pacificação. Alcolumbre concordou com a reunião e disse que não usará a pauta do Parlamento para prejudicar o governo, mas deixou claro que não confia nas promessas dos ministros sobre eventuais ações da PF.
Desconfiança e delações
O senador do Amapá tem certeza de que será alvo de retaliação do PT após a derrota de Messias. Em desabafo a um ministro do STF, Alcolumbre afirmou: "Todo dia vem alguém me avisar de alguma delação". As investigações contra ele envolvem o Banco Master, o INSS e também apurações relacionadas ao crime organizado em São Paulo, na operação Carbono Oculto. Até recentemente, as investigações não avançavam porque a PF havia estabelecido outras prioridades, mas a situação mudou nos últimos dias, com delatores sendo questionados sobre Alcolumbre com mais intensidade.
A relação entre o governo e o presidente do Senado está envenenada pela desconfiança, e o encontro marcado para a próxima semana pode ser decisivo para o futuro político de ambos os lados.



