Líder espiritual e mãe condenados por tortura e estupro de adolescente em centro religioso
Líder espiritual e mãe condenados por tortura e estupro em centro religioso

Líder espiritual e mãe recebem penas severas por crimes hediondos contra adolescente

A Justiça de Minas Gerais condenou um líder espiritual e a mãe de um adolescente por uma série de crimes graves cometidos dentro de um centro religioso em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Os réus foram considerados culpados pelos delitos de tortura, estupro de vulnerável, lesões corporais e corrupção de menores, em um caso que chocou a região.

Detalhes da condenação revelados pela Polícia Civil

Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (22), a delegada Herta Chaves Coimbra detalhou a condenação que foi proferida no mês passado. Os crimes ocorreram no dia 26 de agosto de 2025, no bairro Minas Novas, onde o adolescente foi submetido a intenso sofrimento físico e psicológico.

"Esse menor foi vítima de intenso sofrimento. Ele foi muito agredido e torturado, foi vítima de estupro, lesões e também foi comprovada a corrupção de menores", afirmou a delegada, destacando a gravidade dos atos praticados contra o jovem.

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Instrumento de tortura e confissões dos acusados

As investigações da Polícia Civil revelaram que a própria mãe levava o adolescente ao centro religioso para a realização de rituais. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram um chicote de couro com vestígios de sangue pendurado na parede do local.

"Encontramos um chicote pendurado na parede com vestígios de sangue, que foi levado à perícia e comprovado como instrumento utilizado para que o menor fosse surrado", explicou a delegada Coimbra. O objeto foi fundamental para comprovar as agressões físicas sofridas pela vítima.

Além da evidência material, exames de corpo de delito, perícia no local e a análise de vídeos que circularam nas redes sociais confirmaram a ocorrência dos crimes. Ambos os adultos confessaram os atos durante as investigações, com o líder espiritual admitindo ter praticado as agressões e alegando, à época, que estaria sob influência de uma entidade espiritual.

Penas aplicadas e consequências jurídicas

Com a conclusão do inquérito e seu encaminhamento à Justiça, as penas foram definidas de forma rigorosa:

  • O líder espiritual foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão
  • A mãe do adolescente recebeu pena de 22 anos de reclusão

Ambos os condenados estavam presos preventivamente desde a época dos crimes e permanecem no sistema prisional. Com a sentença, a mulher também perdeu definitivamente o poder familiar sobre o adolescente e os demais filhos, medida considerada necessária para a proteção das crianças.

Situação da vítima e investigações complementares

A vítima adolescente atualmente está acolhida por uma instituição especializada e recebe acompanhamento psicológico regular, além de assistência da rede de proteção social do município de Teófilo Otoni. As autoridades garantem que o jovem está recebendo todo o suporte necessário para sua recuperação física e emocional.

A Polícia Civil informou que continua investigando se outras crianças ou adolescentes podem ter sido vítimas de práticas semelhantes no centro religioso, que foi fechado após a descoberta dos crimes. As autoridades buscam identificar possíveis outras vítimas que possam ter sofrido abusos no local.

O caso serve como alerta para a necessidade de vigilância constante sobre instituições religiosas e a proteção de menores vulneráveis, especialmente quando há indícios de práticas que possam colocar em risco a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes.

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