Justiça suspende grupo no Telegram que compartilhava fotos de mulheres sem consentimento em Adamantina
Justiça suspende grupo no Telegram que compartilhava fotos de mulheres

Justiça suspende grupo no Telegram que compartilhava fotos de mulheres sem consentimento em Adamantina

A Justiça determinou a suspensão imediata de um grupo no aplicativo Telegram que reunia aproximadamente 900 integrantes e era utilizado para o compartilhamento de fotos de mulheres sem o seu consentimento. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (16) pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Adamantina, no interior do estado de São Paulo.

Como funcionava o grupo ilegal

Segundo a Polícia Civil, as imagens eram retiradas de perfis públicos das vítimas nas redes sociais e depois compartilhadas no grupo. A partir dessas fotos, utilizadas de forma ilegal, os participantes faziam comentários ofensivos sobre as mulheres e até produziam vídeos com o uso de ferramentas digitais.

Investigações em andamento

As investigações conduzidas pela Delegacia de Defesa da Mulher continuam e buscam identificar os responsáveis pela criação e manutenção do grupo, bem como apurar em quais crimes as condutas podem se enquadrar. As responsabilidades serão individualizadas conforme a participação de cada envolvido.

Entre as possíveis tipificações estão difamação, importunação sexual e divulgação de cena pornográfica sem o consentimento da vítima, prevista no artigo 218-C do Código Penal. Como parte das vítimas envolve crianças e adolescentes, a apuração também considera o artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da divulgação de material envolvendo menores.

Aumento no número de vítimas

Na quinta-feira (12), o número de mulheres que denunciaram o grupo no aplicativo Telegram subiu para 40. O grupo era utilizado para compartilhar fotos delas em meio a conteúdo sexual. Segundo a polícia, muitas das vítimas que conseguiram acessar o grupo já encaminharam informações para colaborar com as investigações. Até então, o número de vítimas era de 34, ou seja, outras seis mulheres procuraram a polícia para denunciar o caso neste período.

Como denunciar casos semelhantes

Além de procurar a Delegacia de Defesa da Mulher, as vítimas podem fazer denúncias por meio do telefone 180, que pertence ao programa nacional que funciona 24 horas e recebe denúncias de assédio e violência contra mulheres, encaminhando essas denúncias aos órgãos competentes. O serviço também realiza acolhimento, orientações e encaminhamentos para os serviços da rede de atendimento em todo o território nacional.

Posicionamento do Telegram sobre o caso

Em nota enviada à TV TEM, o Telegram informou que materiais de abuso sexual infantil e o compartilhamento não consensual de imagens íntimas são explicitamente proibidos pelos termos de serviço do aplicativo e que esse tipo de conteúdo é removido sempre que detectado.

Segundo a nota, o aplicativo é equipado e monitorado por ferramentas de Inteligência Artificial (IA) personalizadas, que aceitam denúncias para remover conteúdo que viole os termos de serviço, incluindo materiais de abuso sexual e o compartilhamento não consensual de imagens íntimas. O Telegram informou ainda que adota uma política de tolerância zero contra esse tipo de conteúdo.

A empresa acrescentou que, desde 2018, todas as imagens publicadas em chats públicos são verificadas automaticamente e comparadas a um banco de dados de hashes de materiais relacionados a abuso sexual infantil já banidos pelos moderadores. O Telegram também afirmou que pode fornecer endereços IP e números de telefone de suspeitos em resposta a solicitações legais válidas, o que auxilia investigações policiais.