A Justiça de São Paulo realiza nesta segunda-feira (25) a primeira audiência do processo que investiga o assassinato de Tainara Souza Santos. A vendedora de 31 anos foi atropelada e arrastada por cerca de 1 km pela Marginal Tietê, na zona norte da capital, em novembro de 2025, e morreu após quase um mês internada. O caso ganhou grande repercussão pela crueldade e se tornou símbolo da violência contra a mulher no Brasil.
Acusado e crimes
O ex-ficante de Tainara, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, é acusado de feminicídio e tentativa de homicídio contra Lucas Brito Galvão Silva, de 19 anos, amigo da vítima. Douglas está preso preventivamente. A defesa dele não foi localizada para comentários.
A audiência de instrução ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste. Novas sessões serão realizadas para ouvir testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. Essa etapa é crucial para decidir se o caso irá a júri popular. Em caso de condenação, a pena pode variar de 20 a 40 anos de prisão. Também há possibilidade de absolvição sumária ou pedido de mais investigações.
Como ocorreu o crime
O atropelamento aconteceu em 29 de novembro de 2025. Câmeras de segurança registraram o momento em que Douglas atropela Tainara e a arrasta até abandoná-la ainda com vida perto de um posto de combustíveis na Marginal Tietê. A vítima foi levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas. Segundo a polícia, o crime foi motivado por ciúmes, já que Douglas não aceitava o fim do relacionamento breve que tiveram.
Versão do acusado
Após fugir sem prestar socorro, Douglas foi preso em 30 de novembro. Na delegacia, disse estar arrependido, mas negou conhecer Tainara. Alegou que o atropelamento foi acidental, após uma briga em que um amigo dela o teria agredido com uma garrafada. Disse que acelerou sem perceber que a mulher estava debaixo do carro e que só parou quando ela se soltou. Deixou o local por medo de agressões. No entanto, investigações apontam que a ação foi intencional, motivada por ciúmes, e que ele ignorou alertas de pedestres e motoristas.
Amputações e morte
Tainara passou por cirurgias no dia da prisão e, em 1º de dezembro, teve as pernas amputadas. Seu estado era crítico, e ela permaneceu na UTI. Em 2 de dezembro, foi operada novamente na bacia para conter infecções. Apesar dos esforços, morreu em 24 de dezembro, véspera de Natal, devido a septicemia, amputações e desarticulação de quadril. O velório ocorreu em 26 de dezembro, com familiares e amigos pedindo justiça. Tainara deixou dois filhos: um menino de 12 anos e uma menina de 7.



