Justiça mantém prisão de jogadores do Vasco-AC suspeitos de estupro coletivo em Rio Branco
A Justiça do Acre rejeitou o pedido de liberdade para quatro jogadores do Vasco-AC, investigados por estupro coletivo contra duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada de 13 de fevereiro, em Rio Branco. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (4) pelos advogados dos atletas, Robson Aguiar e Atevaldo Santana do Nascimento.
Detalhes da decisão judicial
Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, conhecido como Lekinho, tiveram a liminar de habeas corpus negada. Com isso, eles seguem detidos no Complexo Prisional de Rio Branco, onde poderão permanecer por até 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Conforme o advogado Robson Aguiar, defensor de Alex Pires, o pedido de revogação da prisão foi protocolado em 19 de fevereiro. No entanto, o Ministério Público do Acre (MP-AC) se posicionou contra a liberdade dos acusados na última sexta-feira (27).
"O MP opinou pelo indeferimento do pedido de revogação temporária, assim, os jogadores poderão ficar presos por até 30 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. Órgão ainda pediu urgência para a delegacia finalizar o inquérito e agora o caso está na mesa do juiz para a decisão", afirmou Aguiar.Contexto das prisões e investigações
Os jogadores foram presos em flagrante pela Polícia Civil. Erick foi detido em 14 de fevereiro, enquanto Matheus, Brian e Alex tiveram a prisão temporária decretada no dia 17. Todos negam as acusações.
O advogado Atevaldo Santana, que defende Erick, Matheus e Brian, confirmou que teve pedido de liberdade negado em 13 de fevereiro, mantendo-se a prisão temporária. Ele entrou com recurso contra a decisão na última sexta (27).
"Estou esperando a liberação da Justiça, o pedido ainda não chegou nem a ser analisado pelo juiz", resumiu Santana.Desdobramentos do caso
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em 14 de fevereiro. As vítimas procuraram a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência inicialmente, sendo encaminhadas para atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora.
Segundo a polícia, as mulheres relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. Elas afirmaram ter ido ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas a abusos posteriormente.
O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, resumiu: "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação".
Entrega dos jogadores e reações
Alex Pires Júnior (Lekinho) foi o primeiro a se entregar à polícia, comparecendo à Delegacia de Flagrantes (Defla) acompanhado do treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario se apresentaram na Deam com o advogado Atevaldo Santana.
Em 19 de fevereiro, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, sendo eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes do jogo, o time chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos.
A ação foi repudiada pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram a homenagem como 'inaceitável'. O gesto dos atletas também está sendo investigado pelo MP-AC, que analisará possível omissão da justiça desportiva do estado.
Posicionamento do clube
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Patrocinadores já romperam contratos com o clube após a contratação do goleiro Bruno e a prisão dos jogadores.
O caso continua sob investigação, com o MP-AC exigindo celeridade na conclusão do inquérito policial para que a Justiça possa tomar uma decisão definitiva sobre a situação dos quatro atletas.
