Justiça do Rio nega habeas corpus à mãe de Oruam, foragida após operação contra facção
Justiça nega habeas corpus à mãe de Oruam, foragida

Justiça do Rio mantém decisão e mãe de rapper continua foragida após operação policial

A Justiça do Rio de Janeiro negou, nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, o pedido de habeas corpus de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam e esposa de Marcinho VP, histórico líder do Comando Vermelho preso há quase três décadas. A decisão judicial mantém a situação de foragida de Márcia, que desapareceu desde a última quarta-feira, quando a Polícia Civil deflagrou uma operação de grande escala contra a estrutura nacional da facção criminosa.

Operação revela articulação familiar e cadeia de comando organizada

Segundo informações da Polícia Civil, as investigações apontaram para a existência de uma cadeia de comando organizada, com divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do Brasil. Os agentes destacaram a participação direta de familiares de Marcinho VP no funcionamento da engrenagem criminosa.

Márcia Gama é acusada de atuar na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos. Além dela, o sobrinho de Marcinho, Landerson Lucas dos Santos, também é procurado pelas autoridades.

Contexto familiar: Oruam também está foragido e tem histórico de problemas com a lei

O filho de Márcia, o rapper Oruam, está foragido desde fevereiro, após ter o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por 66 violações à tornozeleira eletrônica. O dispositivo foi desligado por intervalos de até 10 horas entre setembro e novembro do ano passado.

O cantor tem um histórico extenso de problemas com a Justiça, sendo acusado de crimes como:

  • Tráfico de drogas
  • Associação ao tráfico
  • Resistência e desacato
  • Dano e ameaça
  • Lesão corporal
  • Duas tentativas de homicídio qualificadas

Em julho do ano passado, Oruam foi envolvido em um episódio de resistência policial durante uma operação em sua residência, onde incitou um grupo de aproximadamente oito pessoas a lançar pedras contra agentes. O ataque resultou em lesões no policial civil Alexandre Alves Ferraz e danos a uma viatura, permitindo a fuga de um adolescente considerado foragido.

Detenção de vereador e soltura posterior

Durante a mesma operação que levou Márcia Gama à condição de foragida, o vereador Salvino Oliveira (PSD) foi detido. No entanto, ele foi solto ainda na semana passada após uma decisão judicial apontar que os elementos apresentados contra ele não eram suficientes para justificar a prisão preventiva.

A Polícia Civil continua suas investigações sobre a estrutura do Comando Vermelho, com foco na atuação de familiares de líderes históricos da facção. A corporação reforçou que o trabalho investigativo identificou claramente a participação de parentes de Marcinho VP na operação da organização criminosa em nível nacional.