Justiça Militar torna réus dez policiais do Bope por invasões e conduta irregular na Maré
A Justiça Militar do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual e transformou em réus dez policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da Polícia Militar fluminense. Os agentes são acusados de uma série de irregularidades cometidas durante uma operação no Complexo da Maré, na zona norte da capital, realizada em 10 de janeiro de 2025.
As acusações e as investigações do Ministério Público
Os policiais militares vão responder judicialmente por crimes de violação de domicílio, descumprimento de missão e recusa de obediência. A denúncia foi formalizada ainda em 2025 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com base nas apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ).
Segundo as investigações, os agentes invadiram treze residências na comunidade da Nova Holanda, dentro do Complexo da Maré, utilizando métodos irregulares:
- Entrada clandestina com o uso de chave mestra
- Arrombamento de portas sem autorização dos moradores
- Ausência de ordem judicial para as invasões
Conduta inadequada e obstrução de provas
As imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais revelaram comportamentos ainda mais graves durante a operação. Os agentes não apenas invadiram as residências, mas também:
- Dormiram em sofás das casas invadidas
- Utilizaram os banheiros dos moradores
- Consumiram alimentos diretamente das geladeiras das vítimas
As investigações também apontaram que os policiais obstruíram deliberadamente as lentes das câmeras operacionais portáteis (COPs), gerando gravações com "tela preta" que dificultaram o registro completo das ações. Apesar dessa tentativa de impedir o registro, áudios e imagens de outros equipamentos permitiram ao Gaesp comprovar as irregularidades cometidas.
Os policiais réus e a posição da Polícia Militar
Com a aceitação da denúncia pela Justiça Militar, os dez policiais se tornaram formalmente réus no processo. A lista inclui militares de diferentes patentes:
- 1º tenente Felippe Carlos de Sousa Martins
- 1º sargentos Rodrigo Rosa Araujo Costa e Luís Claudio Santos da Silva
- 2º sargento Douglas Nunes de Jesus
- 3º sargentos Bruno Martins Santiago, Carlos Alberto Britis Júnior e Diogo de Araújo Hernandes
- Cabos Diego Ferreira Ramos Martins, Jorge Guerreiro Silva Nascimento e Rodrigo da Rocha Pita
Em nota oficial, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que instaurou procedimento apuratório assim que tomou conhecimento do possível desvio de conduta e encaminhou relatório completo à Auditoria de Justiça Militar. A corporação afirmou que "não compactua com quaisquer desvios de conduta" por parte de seus integrantes e que adota medidas rigorosas sempre que os fatos são devidamente comprovados pelas investigações.
O caso representa um marco significativo no acompanhamento jurídico de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro, destacando a importância dos mecanismos de controle e transparência nas ações das forças de segurança pública.



