Justiça aceita denúncia contra jovem por morte de tatuador em Nuporanga, SP
Justiça aceita denúncia por morte de tatuador em Nuporanga

Justiça aceita denúncia contra jovem após morte de tatuador em Nuporanga, SP

A Justiça deu um passo decisivo no caso que chocou a cidade de Nuporanga, no interior de São Paulo, ao aceitar a denúncia do Ministério Público contra um jovem de 25 anos, acusado de agredir e causar a morte do tatuador Vitor Fonseca de Almeida Silva, de 42 anos, durante as festividades do carnaval. O réu, identificado como Vitor Manoel Gomes de Jesus, agora responde formalmente pelo crime de lesão corporal seguida de morte, após um processo que revelou detalhes trágicos sobre o ocorrido na madrugada de 15 de fevereiro.

Detalhes da agressão e investigação

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, que concluíram o inquérito em março, Vitor Fonseca morreu dois dias após sofrer um soco desferido por Vitor Manoel. O impacto da agressão fez com que a vítima caísse e batesse a parte de trás da cabeça na calçada, resultando em um traumatismo fatal. O laudo necroscópico confirmou o nexo causal entre o soco, a queda e o óbito, descartando outras possíveis causas.

O delegado Clodoaldo Vieira, responsável pelo caso, documentou em relatório que "o laudo confirma o nexo causal entre a agressão (soco que provocou a queda) e o resultado morte, decorrente do impacto da região occipital da vítima contra o calçamento". Além disso, Vitor Manoel confessou ter sido o autor do soco, mas alegou que agiu em defesa de menores, sob a alegação de que o tatuador estaria importunando o grupo. No entanto, essa versão não se sustentou nas investigações.

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Versões descartadas e comportamento do acusado

As autoridades apuraram que, embora uma frase dita por Vitor Fonseca – "eu gosto de safadeza" – tenha sido considerada o estopim da agressão, não houve comprovação de importunação ou conduta suspeita por parte da vítima. Imagens de câmeras de segurança mostraram o tatuador caminhando ao lado de adolescentes, mas sem indicativos de risco concreto ou agressão iminente que justificassem a reação violenta.

O relatório policial destacou que "a conduta da vítima, embora, ao que pareceu, socialmente inadequada ao abordar uma criança desconhecida na madrugada, não configurava uma agressão injusta, atual ou iminente, capaz de justificar a reação violenta nos termos da legítima defesa". Adicionalmente, foi mencionado que o grupo do qual Vitor Manoel fazia parte permaneceu no local, conversando, bebendo e fumando, mesmo com a vítima caída no chão, antes da chegada do socorro médico – atitude descrita como "de total indiferença para com a gravidade da situação".

Posicionamento das defesas

Em nota, o advogado do réu, Rafael Ferro, afirmou que seu cliente "manifesta absoluto respeito ao devido processo legal, às instituições e ao sistema de Justiça" e que Vitor Manoel permanecerá à disposição das autoridades competentes. Por outro lado, Ricardo Rocha, advogado da família do tatuador e assistente de acusação no processo, repudiou a alegação do acusado, classificando-a como "narrativa fantasiosa que busca, tão somente, eximir ou ao menos atenuar sua responsabilidade penal".

Rocha também comunicou que segue acompanhando o processo em busca do completo esclarecimento dos fatos e da responsabilização criminal do agressor, ressaltando que "a família da vítima, ainda profundamente abalada, espera que a Justiça seja feita". O caso continua sob os holofotes da Justiça, com expectativas de que novas audiências e provas tragam mais clareza sobre os eventos trágicos que marcaram o carnaval em Nuporanga.

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