Justiça de São Paulo absolve promotora de eventos Any Awuada e mãe de acusações de estelionato
A Justiça de São Paulo determinou a absolvição da promotora de eventos Nayara Macedo das Virgens, conhecida como Any Awuada, e de sua mãe, Ângela de Macedo, em processo que investigava supostos crimes de estelionato e contra a saúde pública. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (4) pela 2ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda, que considerou improcedente a ação penal movida contra as duas mulheres.
Falta de provas para condenação
O juiz Rodrigo Cesar Muller Valente analisou as acusações e concluiu que não havia elementos probatórios suficientes para sustentar uma condenação por estelionato. Em setembro de 2025, o mesmo magistrado já havia absolvido Nayara e Ângela das imputações relacionadas a infrações sanitárias, entendendo que os produtos comercializados – perfumes e cosméticos – não se enquadravam em categorias terapêuticas ou medicinais.
Segundo a resolução RDC 907/24 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cremes e perfumes são classificados como produtos de grau 1 e não necessitam de registro prévio junto à agência, sendo suficiente apenas a comunicação do produto. Esse aspecto foi fundamental para a absolvição nas acusações sanitárias.
Investigação e prisões temporárias
A investigação teve início em agosto de 2023, após uma vítima denunciar a compra de perfumes importados falsificados através das redes sociais de Nayara, que possuía quase 500 mil seguidores e anunciava os produtos como "desapego de importados". A vítima pagou R$ 857,90 por frascos supostamente das marcas Chanel, Dior e Victoria's Secret, mas identificou que se tratavam de falsificações ao receber os itens.
Em abril de 2024, mandados de busca e apreensão resultaram na apreensão de grande quantidade de cosméticos e perfumes com marcas famosas. A perícia apontou que os produtos continham substâncias em desconformidade com parâmetros sanitários e não tinham registro na Anvisa. O relatório policial também indicou movimentações bancárias significativas:
- Mais de R$ 1,2 milhão em contas de Nayara
- R$ 600 mil em contas de sua mãe, Ângela
- R$ 300 mil em contas ligadas a Júlia Gabriela de Siqueira Freitas
Um veículo Audi Q3 branco, ano 2020, registrado em nome de Nayara e avaliado em aproximadamente R$ 150 mil, também foi apreendido durante as operações.
Prisões temporárias e desenvolvimento do caso
Em maio do ano passado, mandados de prisão temporária foram cumpridos em dois endereços no bairro Alto do Ipiranga, em Mogi das Cruzes. Nayara foi encontrada em um apartamento junto com a mãe, enquanto Júlia Gabriela de Siqueira Freitas foi localizada em outro imóvel indicado por Nayara durante a operação.
Nayara e Ângela permaneceram presas por quase um mês, enquanto Júlia foi solta em 13 de junho de 2025. As investigações seguiram pelo 31º DP, na Vila Carrão, com diligências para reunir mais provas e esclarecer a extensão das atividades criminosas.
Posicionamento da defesa
O escritório Blaustein Mello & Ramalho, responsável pela defesa de Nayara e Ângela, emitiu nota oficial comunicando as decisões judiciais. "A defesa vem a público comunicar as Decisões proferidas pela 2ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda, que hoje julgou completamente improcedente a ação penal movida contra elas e declarando absolvição de ambas no que tange todas as imputações", afirmou o escritório.
A nota ainda destacou que o Ministério Público do Estado de São Paulo foi favorável à absolvição e que as clientes "enfrentaram, durante todo o trâmite processual, um julgamento público precipitado e injusto, baseado em denúncias insuficientes para uma condenação criminal".
Com a decisão judicial, Nayara Macedo (Any Awuada) e sua mãe Ângela de Macedo estão oficialmente absolvidas de todas as acusações e buscam retomar suas vidas após o processo que incluiu prisão temporária, apreensão de bens e extensa investigação policial.
