Quase três anos após o trágico incidente que resultou na morte de Líbia Tavares, a Justiça deu um passo decisivo no processo. O juiz Gabriel Veloso de Araújo, titular da 3ª Vara Criminal de Santarém, no oeste do Pará, marcou para o dia 28 de maio de 2026 a sessão do júri popular que irá julgar Jussara Nadiny Cardoso Paixão.
Detalhes do caso e laudo pericial
Líbia Tavares, de 22 anos, faleceu na madrugada do dia 22 de fevereiro de 2023 após uma queda violenta do capô de um carro dirigido por Jussara Nadiny. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi conclusivo: a vítima sofreu traumatismo craniano grave, hemorragia cerebral e múltiplas fraturas no crânio, o que levou ao óbito antes mesmo da chegada do socorro médico.
Reconstituição e acusações
Durante a reconstituição do crime, Jussara Nadiny, vestindo uma blusa branca, demonstrou aos peritos como Líbia teria subido no capô do veículo. A ré é acusada de homicídio qualificado por motivo fútil e por meio que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. No júri, além da acusada, devem ser ouvidas nove testemunhas para esclarecer os fatos.
Estratégias da defesa e decisões judiciais
A defesa de Jussara Nadiny tentou, desde o início, utilizar todos os recursos legais disponíveis para desclassificar o crime para lesão corporal. O argumento central foi a ausência de dolo, ou seja, a falta de intenção de matar. No entanto, essa tese não foi aceita pelas instâncias superiores. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) devolveu o caso ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), determinando a realização do julgamento por júri popular.
Contexto do incidente
O desentendimento que culminou na morte de Líbia Tavares começou em um bar no bairro da Prainha, em Santarém, e se estendeu pelas ruas do bairro Diamantino. De acordo com relatos, um ex-namorado de Líbia foi apontado como o pivô da briga, que teria sido iniciada por ciúmes.
Jussara Nadiny relatou à polícia que, após uma discussão no bar, onde Líbia teria jogado cerveja em sua roupa, ela deixou o local com o ex-namorado da vítima. Minutos depois, ao sair da casa desse ex-companheiro, Líbia chegou acompanhada de outras pessoas, e uma nova discussão eclodiu.
Momento crítico registrado em vídeo
Jussara seguiu de carro pela avenida Moaçara, mas ao parar no semáforo, foi novamente abordada por Líbia, que desta vez subiu no capô do veículo. Quando o sinal abriu, Jussara percorreu mais de 200 metros na avenida Sérgio Henn, com Líbia ainda sobre o capô. Próximo ao cruzamento com a avenida Palhão, uma frenagem brusca fez com que Líbia fosse arremessada no asfalto. Todo o incidente foi registrado por câmeras de segurança, e Jussara permaneceu no local, sendo presa em flagrante.
Preparações para o julgamento
Para o dia do júri, o juiz Gabriel Veloso solicitou reforço na segurança do Fórum de Santarém, visando garantir a ordem durante o processo. A defesa de Jussara Nadiny foi contatada, mas informou que só se manifestará na tarde desta quarta-feira, dia 4 de setembro de 2024.
Após a prisão em flagrante, a defesa da acusada conseguiu liberdade provisória no fim de março de 2023, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Agora, a comunidade aguarda ansiosamente o desfecho judicial deste caso que chocou a região.



