Julgamento dos acusados de matar Bruno e Dom é transferido para Manaus
Julgamento de assassinos de Bruno e Dom vai para Manaus

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou a transferência do julgamento dos acusados de executar o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips para a cidade de Manaus, no Amazonas. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, visa garantir maior rapidez e independência no processo judicial que envolve um dos crimes mais emblemáticos da região amazônica.

Detalhes da Transferência do Julgamento

Com a medida de desaforamento, o Tribunal do Júri deixa de ocorrer em Tabatinga, município localizado no extremo oeste do Amazonas, e passa a ser realizado na capital estadual, Manaus. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a mudança, argumentando que a manutenção do julgamento em Tabatinga comprometia a duração razoável do processo.

Objetivos da Mudança para Manaus

O procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal, autor do recurso acolhido pelo TRF-1, explicou que o objetivo principal é assegurar celeridade ao processo. "O pedido de transferência para Manaus foi feito para que os executores sejam julgados pelo Tribunal do Júri o mais rápido possível", afirmou. Além disso, a mudança busca proporcionar maior independência aos jurados, evitando possíveis influências locais que poderiam afetar a imparcialidade do julgamento.

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Contexto do Crime

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, no município de Atalaia do Norte, no Amazonas, enquanto visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari. Os corpos das vítimas foram encontrados somente dez dias após o crime, em uma busca intensiva que mobilizou autoridades e a sociedade civil.

Perfis das Vítimas e Motivações

Bruno Pereira, funcionário licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), era conhecido por seu trabalho na defesa dos povos indígenas na região amazônica. Ele recebia ameaças constantes devido às suas atividades, que incluíam o combate a invasões e crimes ambientais.

Dom Phillips, jornalista britânico, estava na Amazônia para apurar uma reportagem sobre desmatamento para o jornal The Guardian. Sua morte chocou a comunidade internacional e destacou os riscos enfrentados por profissionais que investigam questões ambientais e sociais na região.

Acusados e Andamento do Processo

Os acusados que terão seu julgamento transferido são Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados como os executores diretos do crime. Ainda não há data definida para a realização do júri em Manaus, mas com a decisão judicial, o processo passa a tramitar na capital, ficando apto para o início da fase de julgamento.

Envolvimento do Mandante

As investigações indicam que o brasileiro-peruano Ruben Dario Villar, conhecido como "Colômbia", seria o mandante do assassinato. Ele ainda não tem data de julgamento marcada e, nos próximos dias, será ouvido pela Justiça do Amazonas em uma audiência preliminar. Este caso continua a atrair atenção nacional e internacional, refletindo os desafios da justiça em crimes complexos na Amazônia.

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