Jovem fica 13 dias preso por engano após erro em sobrenome no mandado de prisão
Jovem preso por engano após erro em sobrenome no mandado

Jovem fica 13 dias preso por engano após erro em sobrenome no mandado de prisão

Um jovem de 23 anos foi preso por engano em Goiânia, capital de Goiás, devido a um erro grave em uma ordem de prisão, onde os sobrenomes do verdadeiro alvo estavam trocados. Leonardo Cerqueira de Almeida, auxiliar de montagem, passou 13 dias na penitenciária de Aparecida de Goiânia, acusado de tráfico de drogas, enquanto o investigado correto era Leonardo de Almeida Cerqueira.

Detalhes do caso e prisão indevida

Leonardo foi detido por policiais militares na rodoviária de Goiânia quando retornava de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, onde trabalhava em uma empreitada de montagem de refrigeradores, para sua casa em Teodoro Sampaio, interior de São Paulo. Durante a prisão, ele alegou inocência e tentou explicar o engano, mas não teve permissão para ligar para a família, um direito constitucional garantido.

Na audiência de custódia, o jovem foi acompanhado por um defensor público, que não identificou o erro. Ele afirmou nunca ter estado em Minas Gerais, onde o suposto crime de tráfico ocorreu na cidade de Prata. A Defensoria Pública de Goiás emitiu uma nota explicando que, como o processo tinha origem em Minas Gerais, apenas o juízo daquele estado poderia questionar inconsistências.

Resolução do caso e papel da advogada

A situação só mudou quando Leonardo relatou seu caso a um colega de cela, que, ao ser liberado, contou à sua advogada, Déborah Carolina Silva Pereira. Em 10 de março, ela verificou o sistema da Justiça de Minas Gerais e confirmou o erro. Déborah entrou em contato com a mãe de Leonardo, que inicialmente desconfiou de um golpe, mas após ver a foto do filho no processo, confirmou a identidade.

A advogada comunicou o erro à Justiça de Minas Gerais, que reconheceu a falha e ordenou a soltura imediata. Ao visitar Leonardo na penitenciária, Déborah o encontrou assustado e emocionado, com ele chorando ao receber a notícia da liberdade.

Impacto e críticas ao sistema

Em entrevista, Leonardo descreveu os dias na prisão como os piores da sua vida, cobrando mais atenção das autoridades para evitar que outros passem por situações semelhantes. Déborah criticou a atuação da Defensoria Pública, argumentando que, com um olhar mais atento, o defensor público poderia ter identificado o erro e agido, já que tinha competência para isso, ao contrário do juiz de Goiânia.

Ela esclareceu que o erro não foi dos policiais militares ou da Justiça de Goiás, pois os dados no mandado correspondiam a Leonardo, mas destacou falhas no processo. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a Polícia Militar de Goiás foram procurados para comentar o caso, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.

Este incidente levanta questões sobre a eficiência do sistema judicial e a proteção dos direitos dos cidadãos, especialmente em casos de prisões indevidas.