Uma jovem de 24 anos, Thaile Rodrigues Pereira Fortunato, investigada por gravar um vídeo com falas racistas em Guaíra (SP), prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (25) e negou que as ofensas tenham sido direcionadas à segurança Márcia Cristina, que trabalhava no rodeio da cidade. O caso gerou grande repercussão nas redes sociais.
Depoimento e alegações
Durante o depoimento, Thaile afirmou desconhecer o motivo do registro de ocorrência feito por Márcia, alegando que o vídeo se referia a uma situação anterior ocorrida em Votuporanga (SP), sem fornecer detalhes. O delegado Rafael Domingos informou que a jovem negou ser racista, citou parentes e um ex-namorado negros, e disse que gravou o vídeo como desabafo após consumir bebida alcoólica. Ela também afirmou que o vídeo foi divulgado em um grupo restrito do Instagram e que alguém de má-fé o compartilhou. Após o depoimento, foi liberada.
Investigação em andamento
A Polícia Civil investiga os crimes de injúria racial e racismo, já que as ofensas também atingiram a população negra em geral. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público. A defesa de Thaile não foi localizada para comentar.
Conteúdo do vídeo e reação
No vídeo, Thaile proferiu frases discriminatórias, como: “Estou pensando aqui, tem uns pretos que têm autoestima de branco, não tem base. [...] Se eu pudesse, não deixava existir nenhum tipo de gente dessa cor. Deus me livre.” O conteúdo gerou indignação nas redes sociais. Após a repercussão, ela pediu desculpas em outro vídeo e desativou o perfil, afirmando que as palavras foram ditas no calor da raiva.
Relato da segurança
Márcia Cristina, segurança do rodeio, acredita ser a vítima das ofensas. Ela contou que tudo começou quando Thaile tentou passar por uma área interditada para pegar o carro. “Ela veio ‘moça, eu posso descer pra pegar meu carro?’ Falei ‘não pode’. Aí ela virou as costas e saiu. No outro dia, vi a postagem dela”, disse. Márcia espera que o caso não fique impune: “Tem muitos racistas na cidade e a gente é muito discriminada por causa da cor da pele. Não dá pra ficar impune, não.”
Posição da organização do rodeio
O advogado da Associação Arena e Eventos, responsável pelo rodeio, afirmou que a entidade prestou apoio à segurança e acompanha os desdobramentos, desejando que a lei seja cumprida.



