Irmã de corretora morta em Caldas Novas acusa síndico: 'Matou por ódio e imposição'
Fernanda Alves Souza, irmã da corretora Daiane Alves Souza, morta em Caldas Novas, Goiás, revelou em entrevista que a vítima não aceitava as ordens do síndico Maicon Douglas de Oliveira. "O motivo pelo qual ele matou a Daiane foi ódio", afirmou Fernanda, destacando que o crime teria sido motivado por conflitos de poder dentro do condomínio.
Desaparecimento e descoberta do corpo
O corpo da corretora foi encontrado após mais de um mês que ela estava desaparecida. Daiane desapareceu em 17 de dezembro, após descer ao subsolo do prédio onde morava para religar o fornecimento de energia em seu apartamento. Ela administrava seis apartamentos da família no local e não foi mais vista após esse momento.
O síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou o crime e mostrou para a polícia onde deixou o corpo, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas. Ele e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos preventivamente na manhã de quarta-feira (28).
Conflitos e processos judiciais
Segundo a irmã da corretora, o síndico queria dar ordens na propriedade da família e entendia como inimigo quem não fizesse o que ele ordenava. "Ele é uma pessoa que ou você faz o que ele quer ou você se torna inimigo dele. E a Daiane nunca aceitou as imposições dele. Ele queria mandar no que era nosso, ele quer mandar no que é de todo mundo lá naquele condomínio", relatou Fernanda.
Ela citou ainda os processos abertos por Daiane contra o síndico por perseguição. A família relatou que há 12 processos contra Cleber, sendo um deles feito em maio de 2025, por lesão corporal. Neste, Cleber é acusado de ter dado uma cotovelada em Daiane quando ela o confrontava sobre um desligamento no fornecimento de energia.
Detalhes do caso e investigação
O delegado Pedromar Augusto de Souza informou que o síndico foi preso suspeito de homicídio e ocultação de cadáver, enquanto o filho dele é suspeito de obstrução de justiça. O porteiro do prédio foi conduzido para a delegacia para prestar esclarecimentos sobre o crime.
A Polícia Civil afirmou que o síndico teve prisão temporária decretada por 30 dias, prorrogável pela mesma quantidade de tempo. Em coletiva de imprensa, a PC confirmou que o síndico é investigado por homicídio e ocultação de cadáver.
Contexto familiar e judicial
Nilse Alves, mãe da corretora, relatou que tinha combinado com a filha que iria para Caldas Novas no dia 18 de dezembro para conversarem sobre locações para o Natal e ano novo. Entretanto, ao chegar no apartamento, não encontrou a filha e percebeu que a porta, que havia sido deixada aberta, estava trancada.
Antes do desaparecimento, uma assembleia do condomínio aprovou a expulsão de Daiane, mas a decisão acabou sendo suspensa pela Justiça. A corretora entrou com ação alegando irregularidades na convocação da assembleia e ausência de direito de defesa. O Judiciário suspendeu os efeitos da decisão até a análise completa do caso.
Posição da defesa
O g1 tentou contato com a defesa do síndico, mas não obteve retorno. Para a TV Anhanguera, o advogado Felipe Borges de Alencar informou que a defesa de Cleber não teve acesso aos autos. "[Ele] vai passar pela audiência de custódia normalmente. Ainda vai ser ouvido, inclusive, formalmente. Nós aguardamos essas informações para posteriormente emitir uma nota", declarou o advogado.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil de Goiás, com novas informações esperadas após a audiência de custódia e o avanço das análises judiciais.