Justiça aceita denúncia contra influenciadora por jogos ilegais e lavagem de R$ 9,5 milhões
A Justiça do Tocantins deu um passo decisivo no caso envolvendo a influenciadora digital e cirurgiã-dentista Ana Paula Cerqueira Carvalho. Na tarde desta terça-feira (27), a juíza Umbelina Lopes Pereira Rodrigues, da 2ª Vara Criminal de Porto Nacional, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPTO) contra a acusada.
Crimes imputados e decisão judicial
Na decisão, a magistrada determinou prazo para a constituição da defesa e citou que a acusação apontou os crimes de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. Conforme a denúncia, Ana Paula movimentou a impressionante quantia de R$ 9.523.794,93 por meio de uma empresa de fachada destinada exclusivamente à lavagem de ativos ilícitos.
O aspecto mais chocante revelado pelo MPTO é a discrepância entre as movimentações financeiras e a renda declarada. Apesar de movimentar milhões, a influenciadora declarava uma renda lícita de aproximadamente R$ 3 mil, levantando sérias questões sobre a origem dos recursos.
Sequência de eventos e medidas cautelares
O caso teve início com uma operação da Polícia Civil em setembro de 2025, quando Ana Paula e seu ex-marido foram alvos de investigação por suspeita de divulgar plataformas ilegais de jogos de azar nas redes sociais. Na época, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 9,5 milhões em bens da acusada.
Em outubro do mesmo ano, a influenciadora foi presa preventivamente em Porto Nacional por continuar ocultando patrimônio obtido com recursos ilícitos. Ela ficou detida na Unidade Prisional Feminina de Palmas, mas dois dias depois teve a prisão convertida para domiciliar, com a defesa alegando que ela tinha filhos menores de 12 anos e não apresentava indícios de violência.
Pedidos do Ministério Público e bens envolvidos
Ao apresentar a denúncia, o MPTO também solicitou o confisco de diversos bens da agora ré no processo. Entre os itens listados estão:
- Uma fazenda avaliada em R$ 2 milhões
- Veículos de luxo
- Gado
- Outros bens de valor significativo
Estes bens seriam fruto das atividades ilícitas atribuídas à influenciadora, conforme a acusação do órgão ministerial.
Posicionamento da defesa
A defesa técnica de Ana Paula Cerqueira Carvalho emitiu uma nota informando que, até o momento, não obteve acesso regular aos autos da denúncia. O texto ressalta que somente após o integral conhecimento dos elementos constantes dos autos será possível o pleno exercício dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Os advogados afirmaram que, assegurado o acesso aos autos e garantido o devido processo legal, serão apresentados os elementos necessários à demonstração da inocência da acusada, afastando-se, de forma técnica e fundamentada, as imputações que lhe foram atribuídas.
Contexto da investigação
A investigação que culminou na denúncia teve início em 2024 e envolveu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Nacional e Brejinho de Nazaré. O caso exemplifica como as redes sociais podem ser utilizadas para a divulgação massiva de atividades ilícitas, com a influenciadora utilizando sua plataforma digital para promover jogos de azar ilegais.
A aceitação da denúncia pela Justiça marca um momento crucial no processo, que agora segue para a fase de defesa e produção de provas. O caso tem chamado atenção nacional por envolver valores vultuosos e uma personalidade conhecida nas redes sociais, levantando debates sobre responsabilidade digital e combate ao crime organizado no ambiente virtual.