Influenciador e marido recebem condenação de oito anos por exploração de adolescentes na Paraíba
A Justiça do estado da Paraíba proferiu uma sentença condenatória neste sábado (21), determinando oito anos de prisão para o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Natã Vicente. A decisão foi emitida pela 2ª Vara Mista de Bayeux, após comprovação de que o casal produzia conteúdo com conotação sexual envolvendo adolescentes, explorando suas imagens para obter engajamento, audiência e monetização em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.
Defesa contesta decisão e alega preconceito na sentença judicial
Em nota enviada à imprensa, a defesa dos réus classificou a decisão judicial como odiosa e preconceituosa, argumentando que apresentou provas e depoimentos que afastariam a tese acusatória durante a instrução processual. Os advogados afirmaram que a sentença não enfrentou adequadamente esses argumentos, representando, em sua visão, uma vitória do preconceito contra Hytalo, descrito como um jovem nordestino, negro e homossexual.
Um trecho da sentença que cita a orientação sexual do influenciador foi destacado pela defesa como evidência de um julgamento contaminado. "A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, convicta que as instâncias competentes restabelecerão a Justiça", declararam os representantes legais, mencionando que um habeas corpus do casal será julgado na próxima terça-feira (24).
Investigação teve início após denúncia viral sobre exploração de menores
O caso ganhou notoriedade após o youtuber Felca publicar um vídeo intitulado "Adultização", no qual denunciava cenas de suposta exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais. Os influenciadores promoviam vídeos com adolescentes envolvendo dinâmicas como beijos, participação em festas com consumo de bebidas alcoólicas e danças sensuais, com alertas sobre lucro obtido através da sexualização juvenil.
Hytalo, que acumulava mais de 12 milhões de seguidores apenas no Instagram, teve seus perfis desativados durante as investigações. A Promotoria da Paraíba investigava o casal desde dezembro do ano passado, sob suspeita de exploração de adolescentes e crianças. Durante as diligências, Hytalo alegou às autoridades que os pais autorizavam sua tutela sobre os jovens gravados, matriculando-os em escolas particulares e arcando com gastos educacionais, em troca da produção de conteúdos para redes sociais.
A sentença está sujeita a recurso, e a defesa mantém a expectativa de reversão nas instâncias superiores, enquanto o caso continua a gerar debates sobre responsabilidade digital e proteção de menores na internet.



