Homem é torturado por três dias por facção criminosa em Maranguape e consegue fugir
Homem torturado por facção em Maranguape foge após três dias

Homem sobrevive a três dias de tortura por facção criminosa em Maranguape

Um homem de 41 anos, que teve a identidade preservada, passou por um verdadeiro calvário durante três dias consecutivos, sendo mantido em cárcere privado e submetido a torturas brutais por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Mesmo gravemente ferido, a vítima conseguiu escapar e acionar a polícia na última sexta-feira, dia 13 de setembro.

Sequestro e acusações falsas

De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante, ao qual o g1 teve acesso, o crime começou na última terça-feira, por volta das 19 horas, nas proximidades da rodoviária de Maranguape. O homem foi abordado por quatro indivíduos identificados como "Vitinho", "Tabatinga", "Deco" e "Gago", que o acusaram falsamente de repassar informações para a polícia.

Os suspeitos levaram a vítima à força para um quartinho localizado nos arredores da rodoviária, dando início a um período de terror que duraria 72 horas.

Torturas brutais com pauladas e choques elétricos

Assim que chegaram ao local, "Vitinho" e "Gago" começaram a agredir o homem com golpes de pauladas nas mãos, tornozelos, antebraços, costas e cabeça. Além das agressões físicas, os criminosos utilizaram fios desencapados para aplicar choques elétricos em diversas partes do corpo do refém, causando queimaduras graves.

Durante os três dias de cativeiro, a vítima foi transferida para diferentes imóveis pelos suspeitos, numa tentativa de evitar que fosse localizada. Os agressores chegaram a informar que aguardavam uma ordem superior de um indivíduo apelidado de "Cobra", que decidiria se o homem seria executado ou não.

Fuga dramática e resgate

Na sexta-feira, os criminosos levaram o refém até a rodoviária e o obrigaram a tentar realizar saques em um caixa eletrônico, sob ameaça de morte. Em um momento de distração dos suspeitos, o homem conseguiu correr e se abrigar em um estabelecimento comercial, onde pediu ajuda desesperadamente.

Quando a polícia chegou ao local, encontrou a vítima com ferimentos da cabeça aos pés, além de marcas evidentes de queimaduras causadas pelos choques elétricos. O estado do homem era tão crítico que ele desmaiou antes mesmo da chegada da ambulância.

A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Dr. Argeu Gurgel Braga Herbster, onde recebeu atendimento médico especializado para tratar dos múltiplos ferimentos.

Operação policial resulta em seis prisões

Após tomar conhecimento do caso, a polícia realizou buscas intensivas na região e conseguiu capturar seis suspeitos nos imóveis utilizados para o cárcere. Os indivíduos presos são:

  • Francisco Tiago Ferreira dos Santos (conhecido como "Gago")
  • Carlos André Neves da Silva ("Deco")
  • Antônio Leopoldo Vasconcelos Alves ("Tabatinga")
  • Antônio Yruan da Silva Viana ("Lourim")
  • Pedro Guilherme Xavier da Silva
  • Kervin Wesley da Silva Ferreira

Os seis foram autuados pelos crimes de tortura, cárcere privado e organização criminosa. Durante a Audiência de Custódia, a Justiça decretou a prisão preventiva de Tiago "Gago", Pedro Guilherme, Kervin Wesley, Carlos André "Deco" e Antônio "Tabatinga", que já possuíam passagens pela polícia.

Antonio Yruan "Lourim", que ficou do lado de fora da casa vigiando enquanto a vítima era torturada, recebeu liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares. Um sétimo suspeito já foi identificado pela polícia e continua foragido, sendo alvo de buscas intensivas.

Contexto de violência organizada

Este caso chocante revela a atuação violenta de facções criminosas na Região Metropolitana de Fortaleza e expõe os métodos brutais utilizados por esses grupos para intimidar e controlar territórios. A tortura prolongada por três dias seguidos demonstra o nível de crueldade alcançado por essas organizações criminosas.

A polícia continua investigando possíveis conexões deste caso com outras atividades da facção Comando Vermelho na região, enquanto a vítima se recupera dos traumas físicos e psicológicos sofridos durante o período de cativeiro.