Gilmar Mendes mantém prisão de Monique Medeiros, acusada da morte do filho Henry Borel
Gilmar Mendes mantém prisão de Monique Medeiros no caso Henry

Ministro do STF mantém ordem de prisão preventiva de Monique Medeiros no caso Henry Borel

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou neste sábado (18) os embargos de declaração apresentados pela defesa de Monique Medeiros e manteve a ordem de prisão preventiva da professora. Ela é acusada pelo assassinato do próprio filho, o menino Henry Borel Medeiros, ocorrido em março de 2021 no Rio de Janeiro.

Decisão reforça autoridade do STF e competência do Tribunal do Rio

A decisão analisou recurso da defesa contra uma determinação anterior do próprio ministro, que havia restabelecido a prisão após entender que a revogação, feita pela Justiça de primeira instância, violou a autoridade de decisões do STF. Nos embargos, os advogados de Monique alegaram omissões, contradições e obscuridades na decisão, sustentando que o juízo de primeiro grau teria competência para reavaliar a prisão preventiva com base no artigo 316 do Código de Processo Penal, que prevê a revisão periódica da custódia.

Gilmar Mendes, no entanto, afastou os argumentos. Segundo o ministro, já havia ficado claro em decisões anteriores que apenas a 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro seria competente para reavaliar a prisão, e não o juízo de primeiro grau que determinou a soltura da acusada por suposto excesso de prazo.

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“A magistrada de primeiro grau não tinha competência para proceder à reavaliação da prisão”, afirmou o relator, ao destacar que a ordem anterior do STF havia sido expressa ao vetar qualquer reanálise fora do tribunal de segunda instância.

Detalhes do caso e reações da defesa do pai de Henry

Henry Borel Medeiros morreu na madrugada de 8 de março de 2021 no Rio. De acordo com perícias, a criança faleceu em decorrência de hemorragia interna e laceração hepática. Embora a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho, tenham alegado que ele caiu da cama, peritos descartaram essa hipótese, e o Ministério Público sustenta que Henry foi vítima de agressões.

O ministro também rejeitou pedidos subsidiários da defesa, como a concessão de prazo para apresentação voluntária à prisão e a definição prévia de local específico de custódia. Sobre este último ponto, determinou apenas que a Secretaria de Polícia Penal (SEPPEN) informe, em até 24 horas, a unidade onde Monique deverá permanecer presa, a fim de garantir sua integridade física.

Ao final, Gilmar Mendes acolheu os embargos apenas para complementar a fundamentação da decisão anterior, sem alterar o resultado. Com isso, determinou a prisão imediata de Monique. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu o restabelecimento da prisão.

Defesa de Leniel Borel comemora decisão do STF

Em nota, o advogado Cristiano Medina da Rocha, que representa Leniel Borel, pai de Henry, afirmou que a decisão do ministro foi “correta” e necessária para a regularidade do processo. Segundo ele, o STF reafirmou a autoridade de suas próprias decisões e evitou que um juízo considerado incompetente revisasse uma prisão já analisada pela Corte.

“A manutenção da prisão era juridicamente necessária e compatível com a gravidade do caso, com a regularidade do processo e com a necessidade de se evitar novos retrocessos”, afirmou Medina. Ele acrescentou que a prisão preventiva também é fundamental para garantir a instrução criminal e a futura aplicação da lei penal.

Com a suspensão do julgamento em março, a juíza Elizabeth Machado Louro remarcou a decisão para 25 de maio e determinou a soltura de Monique. A magistrada considerou a manobra da defesa de Jairinho “uma interrupção indevida do recurso processual, em franco desrespeito à orientação advinda do STF”.

O g1 tenta contato com a defesa de Monique Medeiros. Procurada, a Secretaria de Polícia Penal não informou se a mãe de Henry já se entregou.

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