GCM mata entregador de pizza em São Paulo: agente com histórico de violência
Um guarda civil metropolitano (GCM) matou a tiros um entregador de pizza na Zona Sul de São Paulo na última sexta-feira (11), revelando um histórico preocupante do agente envolvido. Douglas Renato Scheefer Zwarg, de 39 anos, foi baleado enquanto pedalava uma bicicleta elétrica após um dia de trabalho, retornando para casa com uma pizza para jantar com a esposa e os três filhos.
Histórico criminal do subinspetor
O subinspetor Reginaldo Alves Feitosa, autor do disparo fatal, já possui um extenso histórico na Justiça. Em 2003, ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, respondendo ao processo em liberdade. Posteriormente, em 2009, enfrentou investigações por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação contra pessoa idosa no Juizado Especial Criminal. Todos esses casos foram arquivados, mas revelam um padrão de conduta questionável.
Curiosamente, apenas 11 dias antes do incidente fatal, o agente recebeu uma repreensão disciplinar, levantando questões sobre sua aptidão para o cargo. Após o disparo que matou Douglas, Feitosa foi preso em flagrante, mas conseguiu liberdade após pagar uma fiança de apenas R$ 2 mil.
Versões conflitantes sobre a morte
De acordo com o boletim de ocorrência, guardas foram acionados por um vigilante para investigar relatos de furtos cometidos por ciclistas na região. Durante o patrulhamento, os agentes alegaram ter suspeitado de Douglas por ele estar encapuzado e porque duas mulheres aparentemente fugiam dele.
Os GCMs relatam que o entregador teria se desequilibrado, colidido com a viatura e caído. Nesse momento, o subinspetor Feitosa afirmou que ocorreu um disparo acidental da arma. No entanto, essa versão é veementemente contestada pela família da vítima.
"Eu não vejo um disparo acidental. Um profissional treinado não pode cometer esse tipo de erro", declarou a madrasta da esposa de Douglas, questionando a narrativa oficial. A família enfatiza que Douglas era um trabalhador dedicado, com dois empregos, pai presente e sem antecedentes criminais.
Investigação em andamento
O delegado responsável pelo caso afirmou que a conduta do agente indica imprudência e imperícia no manuseio da arma, especialmente em uma situação de estresse. O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas a polícia busca imagens de câmeras de segurança da região para esclarecer completamente a dinâmica do ocorrido.
Um aspecto relevante é que os guardas civis metropolitanos de São Paulo não utilizam câmeras corporais, o que dificulta a apuração precisa de incidentes como este. Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que o agente foi afastado das funções operacionais e que a Corregedoria da GCM instaurou procedimento para apurar o caso.
A Polícia Civil também conduz investigações independentes sobre as circunstâncias da morte, enquanto a família de Douglas lamenta a perda de um pai dedicado que deixou três filhos: duas filhas de 18 e 10 anos, e um bebê de apenas 4 meses.



