Polícia Civil do Paraná investiga esquema de fraude na Prova Paraná Mais 2025
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) está conduzindo uma investigação minuciosa sobre um suposto esquema de fraude na avaliação Prova Paraná Mais 2025, que faz parte do programa Aprova Paraná Universidades. A investigação foi deflagrada após uma análise detalhada realizada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed), que identificou irregularidades significativas no desempenho de sete estudantes.
Padrões de resposta inconsistentes levantam suspeitas
Conforme explicou Anderfabio Oliveira, diretor de Educação da Seed, os estudantes investigados apresentaram um padrão de respostas considerado "avançado" na prova, mesmo tendo histórico de desempenho "básico" ou "abaixo do básico" em avaliações anteriores. "Nós temos um resultado que é embasado pela Teoria de Resposta ao Item, uma teoria utilizada também em outras avaliações, como o Enem. A gente consegue, de forma muito precisa, cruzar os padrões de desempenho. Esses estudantes estavam, por exemplo, no básico ou abaixo do básico, e de repente apresentaram padrão de resposta avançada", afirmou o diretor.
Todos os alunos envolvidos estudam no Colégio Estadual Santana de Tapejara, localizado no município de Tapejara, na região noroeste do Paraná. A investigação aponta que cinco desses estudantes conseguiram aprovação em cursos de Medicina em universidades estaduais após a suposta fraude. As instituições afetadas incluem a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Confissões e detalhes do esquema fraudulento
Dois outros estudantes foram aprovados em cursos distintos: Engenharia de Alimentos na UEM e Enfermagem na Unioeste. No caso da estudante de Enfermagem, ela não chegou a realizar a matrícula na graduação. A delegada Taís de Melo, responsável pelo caso, revelou que os alunos já foram ouvidos e confessaram ter utilizado celulares durante a realização da Prova Paraná Mais para obter as respostas corretas.
"Esses alunos já foram ouvidos e relataram que utilizaram o celular na hora da prova. A princípio, partiu deles essa conduta. Mas tudo isso ainda está sendo apurado", declarou a delegada. Além dos estudantes, a fiscal responsável pela aplicação da prova na sala também é alvo das investigações. Ela, que não é contratada pela Seed, é suspeita de "facilitar ou se omitir" durante a realização do exame.
Operação policial e possíveis penalidades
Na última quarta-feira (25), a Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Londrina, Maringá, Tapejara e Ponta Grossa. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades. Dos sete estudantes envolvidos, apenas um é maior de 18 anos. Se confirmado o esquema, ele e a fiscal podem responder pelos crimes de fraude a certames de interesse público e corrupção de menores.
Os adolescentes, por sua vez, podem responder por ato infracional análogo à fraude a certames de interesse público. As universidades estaduais afetadas já se pronunciaram sobre o caso, reafirmando seu compromisso com a lisura no ingresso ao ensino superior público e colaborando integralmente com as investigações.
Universidades acompanham o caso e adotam medidas
A UEPG emitiu um comunicado afirmando que o Aprova Paraná Universidades é "uma forma reconhecidamente segura e democrática de ingresso" e que a universidade está colaborando com a investigação. A instituição também destacou que "medidas cabíveis serão tomadas caso se comprove qualquer irregularidade".
A UEL informou que aguarda a conclusão da investigação policial para adotar as medidas judiciais necessárias, incluindo a possível anulação das matrículas dos estudantes envolvidos. Já a UEM ressaltou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão em suas dependências e que colabora com a Seed e as autoridades policiais para garantir a celeridade das investigações.
O que é o programa Aprova Paraná Universidades?
Lançado em 2024 pelo Governo do Paraná, o Aprova Paraná Universidades garante que 20% das vagas nas sete universidades estaduais do Paraná sejam reservadas para alunos da rede pública de ensino. A seleção é feita por meio da nota obtida na Prova Paraná Mais, aplicada em novembro de 2025 nas escolas da rede estadual, em formato impresso.
Os componentes curriculares avaliados incluem:
- Língua Portuguesa e Literatura
- Matemática
- Arte e Educação Física
- Língua Inglesa
- Redação
- Geografia, História, Sociologia e Filosofia
- Biologia, Física e Química
Após a divulgação das notas, os alunos com médias dentro das notas de corte selecionam universidades e cursos disponíveis. As vagas são destinadas às seguintes instituições:
- Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
- Universidade Estadual de Maringá (UEM)
- Universidade Estadual de Londrina (UEL)
- Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
- Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
- Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro)
- Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
A classificação final, com os alunos aprovados, foi divulgada em janeiro deste ano. É importante destacar que a participação no Aprova Paraná não impede que os alunos da rede pública tentem ingressar na universidade por outras formas, como o vestibular tradicional ou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).



