Filha de Maradona relata manipulação por equipe médica em julgamento histórico
Gianinna Maradona, uma das filhas do lendário jogador de futebol Diego Maradona, fez um emocionante depoimento nesta terça-feira (21) durante o julgamento que investiga as circunstâncias da morte de seu pai em novembro de 2020. Aos 36 anos, ela descreveu uma manipulação total e horrível por parte da equipe médica que acompanhava o ídolo argentino em suas últimas semanas de vida.
Acusações diretas contra profissionais de saúde
Segundo informações do jornal Clarín, Gianinna apontou diretamente para três dos acusados durante a audiência no tribunal de San Isidro, nas proximidades de Buenos Aires. Os profissionais mencionados são o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz, todos julgados por possíveis negligências que podem ter contribuído para o falecimento do astro do futebol.
"Eu confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô", declarou Gianinna com voz emocionada. "A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota", completou durante seu testemunho perante o tribunal.
Detalhes sobre os últimos dias de Maradona
No total, sete profissionais de saúde – incluindo médicos, psiquiatras, psicólogos e enfermeiros – estão sendo processados por sua possível responsabilidade na morte do jogador, que faleceu aos 60 anos em decorrência de uma crise cardiorrespiratória e edema pulmonar. Maradona foi encontrado sem vida em sua cama, sozinho em uma residência alugada onde se recuperava de uma neurocirurgia considerada sem complicações.
Gianinna revelou que a internação domiciliar intensiva de seu pai foi uma recomendação específica do neurocirurgião Leopoldo Luque. "Ele explicou que, se isso não funcionasse, tinha outra opção, mas que primeiro deveríamos tentar a internação domiciliar, que naquele momento era a melhor opção", relatou. "Não foi uma decisão tomada da noite para o dia. Com a perspectiva que tenho hoje, ouvindo as gravações, não consigo imaginar que estivessem planejando algo diferente".
Visitas restritas e estratégias paralelas
A filha de Maradona também descreveu suas últimas visitas ao pai nos dias 17 e 18 de novembro, apenas uma semana antes de sua morte. Segundo seu relato, o psicólogo Carlos Díaz havia solicitado que Maradona não recebesse visitas para não ser "sobrecarregado" e para "lhe dar espaço".
Gianinna ainda detalhou o período turbulento após a morte do ídolo: "Eles tentaram me culpar, até mesmo outro dia, quando ouvi na imprensa que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico, e a cada momento, quando os áudios vieram à tona, havia tantas pessoas tentando transferir a culpa para nós, nos responsabilizar".
"Além do que conversamos, eles tinham toda uma estratégia em andamento em paralelo, e naquela época eu não conseguia entender como alguém poderia ser uma pessoa má ou pensar tão rápido que estava fazendo tudo errado", continuou. "Eles estavam com medo. Ouvir todos aqueles áudios fez tudo se encaixar e me ajudou a entender qual era a minha posição".
Contexto do novo julgamento
Este depoimento ocorre no âmbito de um novo julgamento sobre a morte de Diego Maradona. O processo anterior foi anulado em maio de 2025 após a revelação de que a juíza Julieta Makintach participou de um documentário não autorizado sobre o caso. A magistrada renunciou ao cargo depois que um vídeo mostrou-a sendo entrevistada por uma equipe de filmagem nos corredores do tribunal e em seu escritório, violando claramente as regras judiciais.
O novo julgamento tem exigido que tanto promotores quanto advogados de defesa reavaliem completamente suas estratégias, especialmente após o primeiro julgamento ter exibido fotografias, vídeos, gravações de áudio e extensas provas forenses.
Argumentos das partes e possíveis penas
No julgamento inicial, os promotores argumentaram vigorosamente que os profissionais médicos violaram os protocolos de tratamento estabelecidos e que a casa onde Maradona estava se recuperando se assemelhava a um "teatro de horror", onde os cuidados necessários simplesmente não foram prestados adequadamente.
Em contrapartida, a defesa sustentou que a morte do jogador era inevitável devido a seus problemas de saúde de longa data. Maradona lutou durante décadas contra o vício em cocaína e álcool, fatores que, segundo os advogados dos acusados, contribuíram decisivamente para seu estado de saúde frágil.
As acusações formais de negligência surgiram em 2021, depois que os promotores nomearam uma junta médica especializada para investigar minuciosamente as circunstâncias da morte de Maradona. O painel de especialistas concluiu que sua equipe médica agiu de forma "inadequada, deficiente e imprudente".
Os sete réus no processo são:
- A psiquiatra Agustina Cosachov
- O neurocirurgião Leopoldo Luque
- O psicólogo Carlos Ángel Díaz
- A médica Nancy Edith Forlini
- O enfermeiro Ricardo Almirón
- O enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni
- O médico Pedro Pablo Di Spagna
Se forem condenados, os profissionais de saúde enfrentam penas de prisão que podem variar de 8 a 25 anos, dependendo da gravidade das negligências comprovadas durante o julgamento.



