Fantástico reconstrói últimos passos de corretora assassinada por síndico em Goiás
Fantástico reconstrói últimos passos de corretora morta em Goiás

Fantástico reconstrói últimos passos de corretora assassinada por síndico no interior de Goiás

A família de Daiane Alves, de 43 anos, enfrentou um longo período de 43 dias de angústia e incerteza até finalmente descobrir o trágico desfecho do desaparecimento da corretora. O síndico do prédio onde ela residia, Cléber Rosa de Oliveira, foi preso nesta semana e, diante das autoridades, confessou ter cometido o assassinato.

"Foram 43 dias esperando um resultado do que aconteceu com ela, enquanto o síndico andava normalmente, aparando grama ali, sabendo que a minha filha estava jogada no meio do mato", desabafou Nilse Pontes, mãe de Daiane, em entrevista ao Fantástico. A dor da família se mistura com a incredulidade diante da brutalidade do crime.

Confissão e local do corpo

Cléber levou a polícia até o local onde abandonou o corpo da vítima e detalhou minuciosamente como agiu no dia do crime. Seu filho, Maicon Douglas, também foi preso sob suspeita de ter acobertado o pai e obstruído as investigações. "A gente vai ter que conviver com isso. E pensar que esse covarde, esse assassino, por conta de quê? Tem como acreditar nisso?", lamentou a mãe de Daiane, em meio ao luto.

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As últimas imagens e a investigação crucial

Daiane foi vista pela última vez em 17 de dezembro de 2024, em imagens capturadas por uma câmera de segurança do elevador do condomínio. Ela desceu ao subsolo para registrar, mais uma vez, a falta de energia em seu apartamento. No entanto, a câmera que poderia tê-la filmado naquela área específica não funcionava naquele dia, levantando suspeitas sobre uma possível manipulação ou desligamento intencional.

As gravações feitas pela própria Daiane no momento em que tentava entender o motivo do corte de luz se tornaram elementos fundamentais para a investigação policial. Ela enviou dois vídeos à amiga Georgiana, que reside em Uberlândia, Minas Gerais, e estava gravando um terceiro vídeo que nunca foi enviado. Para os investigadores, essa interrupção súbita indicou que Daiane foi impedida de continuar a gravação, confirmando que o desaparecimento não foi voluntário.

Conflitos no condomínio: uma morte anunciada

Para compreender a motivação por trás de um crime tão brutal, é necessário montar o quebra-cabeça que transformou um conflito cotidiano em uma tragédia anunciada. A família relata que tudo começou em novembro de 2024, quando Daiane assumiu a administração dos imóveis da família, que anteriormente eram cuidados por Cléber.

Posteriormente, outros condôminos também transferiram a gestão de seus imóveis para a corretora, o que parece ter despertado a ira do síndico. Segundo relatos familiares, Cléber se sentia dono do prédio, pois havia ajudado a concluir a obra que foi abandonada pela construtora original, e impunha regras criadas por ele mesmo, aplicando multas e punições a quem as descumprisse.

Entre as restrições impostas pelo síndico estava a proibição de circulação pelas áreas comuns do edifício. O embate se intensificou ao ponto de Daiane ser expulsa do condomínio, com base em denúncias que, de acordo com a família, careciam de provas concretas. A corretora conseguiu retornar ao prédio apenas após obter uma liminar da Justiça.

Sequência dos fatos no dia do desaparecimento

O inquérito policial sobre o assassinato traz imagens que mostram Cléber, às 18h45, na área externa do condomínio, cuidando de uma obra. Dois minutos depois, ele se dirige à porta que dá acesso às escadas, sendo esta a última imagem registrada dele pouco antes do desaparecimento de Daiane.

Enquanto isso, a corretora fazia registros em vídeo, reclamando de mais uma interrupção no fornecimento de energia elétrica. Ela entra no elevador às 18h57, desce com um morador, vai até a portaria e não encontra ninguém. Retorna ao elevador três minutos depois, ainda gravando, e sai no subsolo em seguida.

A partir desse momento, não existem mais registros visuais, pois a única câmera instalada no subsolo não estava funcionando naquele dia. A perícia técnica ainda analisa se as imagens foram manipuladas, apagadas ou se a câmera foi deliberadamente desligada. Das dez câmeras de segurança do condomínio, apenas três foram entregues pelo síndico à polícia.

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Vídeos como prova decisiva

A Delegacia de Homicídios assumiu as investigações e concluiu que os vídeos feitos por Daiane foram cruciais para a solução do caso. Quando ela desce ao subsolo, grava dois vídeos e os encaminha imediatamente à amiga Georgiana dos Passos Silva.

"Ela já foi gravando em tempo real e me encaminhando. Ela ia descer até a recepção para poder questionar o que estava acontecendo", conta Georgiana. "O que se mostrou para os investigadores? Que ela gravou um primeiro vídeo e enviou. Gravou um segundo vídeo e enviou. Ela está claramente gravando um terceiro vídeo. Esse terceiro vídeo nunca chegou a ser enviado. Então, mostrou para nós, investigadores, que ela não queria desaparecer e que, de alguma forma, esse vídeo foi interceptado antes de chegar ao seu destinatário. Esse foi o elemento crucial para que a gente entendesse que estávamos diante de um homicídio", afirma o delegado André Barbosa.

Imagens do carro e linha do tempo

As imagens do carro do síndico a caminho da rodovia, primeiro com a capota fechada e depois aberta, ajudaram a montar o quebra-cabeça investigativo. "Ele faz esse deslocamento, volta para a cidade, é captado por outra imagem já com a capota aberta, 48 minutos depois, em um trecho que duraria mais ou menos 15 minutos", detalha o delegado André Barbosa.

Testemunhas e cenário do crime

As testemunhas também desempenharam um papel importante no traçado do cenário do crime. "E a primeira pessoa que acessa o S1 é às 19h08. É uma moradora do prédio, uma senhora. Ela diz: ‘Doutor, eu não ouvi nada’. Qualquer pessoa que praticou esse crime teria que ter praticado ele em oito minutos. Qual outro autor poderia acessar o prédio, tirar a Daiane de lá, sair de lá e retornar, e detalhe, trancar a porta que Daiane deixou aberta?", questiona o delegado.

A defesa de Cléber informou que o cliente está colaborando para o esclecimento dos fatos. Já os advogados do filho, Maicon, negam qualquer envolvimento do jovem no caso.