Família de adolescente morto no DF busca responsabilização de mais envolvidos
A família do adolescente Rodrigo Castanheira, de apenas 16 anos, está mobilizando esforços para que outros quatro jovens que estavam presentes no local da agressão fatal em Vicente Pires, no Distrito Federal, sejam formalmente indiciados por homicídio. Até o momento, apenas o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal por homicídio doloso, aguardando a marcação do júri popular.
Estratégia jurídica busca ampliar responsabilização
Segundo o advogado Albert Halex, assistente de acusação no caso, a defesa da família vai protocolar pedidos formais para que os demais envolvidos sejam investigados e, se comprovada sua participação, incluídos na denúncia já apresentada. "Fizemos todo o levantamento acerca dos fatos e estamos realizando pedidos para esclarecimento, inclusive da causa morte, que foi o soco, trazendo isso também para que seja investigado a questão da responsabilização dos outros integrantes do veículo", afirmou Halex.
A estratégia jurídica consiste em apresentar elementos que indicariam uma participação conjunta dos jovens no episódio que resultou na morte do estudante. O aditamento da denúncia, caso ocorra, é de competência exclusiva do Ministério Público do Distrito Federal.
Família acredita em crime premeditado
O pai de Rodrigo, Ricardo Almeida Castanheira, expressou sua convicção de que o crime foi premeditado: "Eles foram lá para matar o meu filho. Então, assim, cada um teve um papel. [...] Eles precisam ser indiciados para que a justiça seja feita". A irmã do adolescente também defende que todos respondam pelo crime, afirmando: "Eles foram lá e eles mataram o meu irmão. Foi tudo planejado, arquitetado".
Questão do uso de soco inglês permanece em aberto
A família levanta ainda a possibilidade de que algum instrumento, como um "soco inglês", possa ter sido utilizado durante a briga. Ricardo Almeida Castanheira questiona: "É muito improvável uma pessoa conseguir quebrar a cabeça de uma outra pessoa com a mão e não ter nenhum sinal na mão da pessoa. Não quebrar um dedo ou a própria mão".
O uso de um soco inglês ou outro instrumento não foi confirmado pela Polícia Civil até a última atualização das investigações. Vale ressaltar que durante uma busca e apreensão na casa de Pedro Turra, realizada em 2 de fevereiro, foram apreendidos um soco inglês e facas.
Contexto do caso
O adolescente Rodrigo Castanheira foi agredido por Pedro Turra em 23 de janeiro, em Vicente Pires, após uma discussão por causa de um chiclete. O jovem faleceu após 16 dias internado em estado gravíssimo. Pedro Turra responde por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda desde fevereiro.
Além da ação criminal, o Ministério Público pediu que o ex-piloto seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça negou um novo pedido de habeas corpus da defesa de Turra, que optou por não se manifestar sobre a denúncia.



