O avanço de facções criminosas tem provocado um aumento significativo no número de homicídios no interior do Amazonas, conforme aponta o estudo "Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira", divulgado em março pelo projeto Amazônia 2030. A pesquisa indica que a disputa por rotas do tráfico de drogas e o controle de territórios estratégicos são os principais fatores que explicam a escalada da violência na região.
Crescimento da violência desde 2018
De acordo com o levantamento, a partir de 2018, o Amazonas passou a registrar mais homicídios do que o esperado para o perfil dos municípios, acompanhando a tendência de crescimento da violência observada em toda a Amazônia Legal. Antes desse período, o interior do estado apresentava índices relativamente baixos. Entre 1999 e 2023, as cidades pequenas do Amazonas tiveram cerca de 430 homicídios a menos do que o esperado, em comparação com municípios de porte semelhante em outras regiões do país.
Expansão de facções e atividades ilegais
Os pesquisadores destacam que o cenário mudou com a expansão das facções criminosas e o avanço de atividades ilegais, como garimpo clandestino, contrabando e exploração irregular de recursos naturais. Essas práticas transformaram crimes ambientais em uma nova fronteira de poder no Amazonas. O g1 procurou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas para saber quais medidas estão sendo adotadas para enfrentar o avanço das facções e do tráfico de drogas, especialmente nos municípios do interior e comunidades ribeirinhas em situação de vulnerabilidade, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Municípios sob ameaça
No Amazonas, municípios como Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Japurá, Barcelos e Canutama aparecem com risco acumulado de violência. Isso significa que essas cidades concentram mais de um fator de risco, o que aumenta a vulnerabilidade à violência. Além do tráfico de drogas, a violência está associada à presença simultânea de várias atividades ilegais, como grilagem de terras, exploração ilegal de madeira e mineração de ouro, além da atuação de facções criminosas.
Fatores de risco e homicídios
O relatório aponta que locais com três ou quatro fatores de risco tiveram um crescimento mais intenso nos homicídios nos últimos anos, em comparação com municípios que não apresentam essas ocorrências. A combinação de diferentes atividades ilegais potencializa a violência, criando um ambiente de disputa territorial e poder entre os grupos criminosos.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas integradas para combater não apenas o tráfico de drogas, mas também os crimes ambientais que alimentam a violência na região. A situação no Amazonas reflete um padrão mais amplo de conflitos na Amazônia Legal, onde a exploração ilegal de recursos naturais se entrelaça com o crime organizado.



