Ex-sargento do trisal vai a novo júri popular pela morte de adolescente de 13 anos no Acre
Ex-sargento do trisal terá novo júri por morte de adolescente

Ex-sargento do trisal enfrentará novo julgamento por morte de adolescente no Acre

O ex-sargento da Polícia Militar do Acre, Erisson de Melo Nery, conhecido por integrar um trisal, terá que se submeter a um novo júri popular pela morte do adolescente Fernando de Jesus, de apenas 13 anos, ocorrida em 2017. O julgamento está marcado para o dia 5 de março, às 8h, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, conforme decisão do juiz Fábio Alexandre Costa de Farias.

Anulação da sentença anterior

Em maio do ano passado, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anularam a sentença que havia condenado Nery a oito anos de prisão em regime semiaberto. A decisão acolheu um recurso da defesa, que alegou violação ao contraditório e à ampla defesa, argumentando que o Ministério Público utilizou provas não constantes nos autos.

Os advogados sustentaram que houve cerceamento de defesa e afronta aos princípios do devido processo legal, tornando imperiosa a anulação do julgamento e a realização de novo júri. O ex-sargento responde ao processo em liberdade, mantendo-se sem custódia preventiva conforme decisão judicial.

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Detalhes do crime

Conforme a denúncia, na manhã de 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente com pelo menos seis tiros no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco. O crime ocorreu quando a vítima tentava furtar a casa do ex-policial. Após o homicídio, Nery e o colega Ítalo de Souza Cordeiro teriam alterado a cena do crime, lavando o corpo da vítima e os arredores para tentar configurar legítima defesa.

Ítalo Cordeiro foi absolvido pelo crime de fraude processual na mesma decisão que condenou Nery. A sentença de homicídio incluiu aumento de um terço na pena por se tratar de vítima menor de 14 anos, destacando que o crime interrompeu abruptamente o desenvolvimento físico, psicológico e social do adolescente.

Família da vítima

Foram convocados para o novo julgamento o padrasto e a mãe da vítima, Johnnathan Maer da Silva Maia e Ângela Maria de Jesus. Em entrevista anterior, Ângela relatou que seu filho, embora dependente químico, nunca foi agressivo, não estava armado e tinha porte de criança, não representando perigo ao ex-sargento.

A família já havia solicitado aumento de pena e indenização superior a R$ 2 milhões. O g1 entrou em contato com a defesa de Nery e aguarda retorno sobre o caso.

Contexto do réu

Erisson Nery ganhou notoriedade por integrar um trisal com a PM Alda Radine e a administradora Darlene Oliveira. Ele já respondia por outros processos, incluindo um por atirar em estudante dentro de bar, e teve pedido de retorno à Polícia Militar negado. Após quase dois anos de prisão, cumpriu parte da pena com tornozeleira eletrônica antes da anulação da sentença.

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