Ex-prefeito de Campo Grande preso por homicídio com arma sem registro válido
Ex-prefeito preso por homicídio com arma sem registro em MS

Ex-prefeito de Campo Grande é preso por homicídio utilizando arma sem registro válido

A Polícia Civil confirmou que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, não possuía porte de arma e utilizou um revólver calibre .38 sem registro ativo para matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu na tarde de terça-feira (24), em uma residência no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Arma utilizada no crime não tinha autorização válida

De acordo com o delegado Danilo Mansur, responsável pela investigação, Alcides Bernal afirmou inicialmente que possuía documentação regular do armamento. No entanto, nenhum registro foi apresentado às autoridades. A Polícia Civil solicitou informações à Polícia Federal, que confirmou categoricamente que não existe autorização válida em nome do ex-prefeito para a arma utilizada no homicídio.

"Ele teve no passado, em 2016, mas não está mais ativo e correspondia a outro armamento", explicou o delegado Mansur durante coletiva de imprensa. Segundo relatos policiais, Bernal afirmou em depoimento que recebeu a arma como presente em 2013, quando era administrador da capital e alegava sofrer ameaças constantes. Ele insistiu que possuía registro e capacitação técnica para o porte, mas os documentos nunca foram apresentados para comprovar essa versão.

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Imóvel havia sido comprado legalmente pela vítima

A residência onde ocorreu o crime possui história complexa. O imóvel, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, já pertenceu a Alcides Bernal, mas foi adquirido legalmente pela vítima Roberto Carlos Mazzini através da Caixa Econômica Federal. A compra foi realizada diretamente com o banco, conforme esclareceu o advogado Thiago Martinho, representante da família da vítima.

"O que eu posso afirmar, com tranquilidade, é que ocorreram várias trocas dessas chaves, essa informação está no inquérito", declarou o advogado. "E o antigo proprietário [Alcides Bernal] havia sido intimado, inclusive, pela Caixa Econômica Federal quando terminou aquele processo. Ele sabia que a residência era da Caixa, sabia que ela estava à disposição para venda, tudo isso era de conhecimento dele".

Em nota oficial, a família de Roberto Mazzini afirmou que o imóvel foi comprado junto ao banco e não pertencia mais ao ex-prefeito. Segundo a família, a compra foi formalizada e o cartório certificou que o imóvel estava desocupado no momento da aquisição. A residência possui três quartos, dois banheiros, seis vagas de garagem, área de serviço, lavabos, três salas e cozinha, totalizando aproximadamente 678 metros quadrados de construção em terreno de 1.400 metros quadrados.

Legítima defesa é considerada improvável pelas investigações

A hipótese de legítima defesa apresentada pelo ex-prefeito está sendo analisada, mas as imagens de circuito de segurança do local levantam sérias dúvidas sobre essa versão. O delegado Mansur informou que aguarda os laudos periciais para concluir definitivamente a investigação.

"A princípio houve uma desconfiança de que poderia haver legítima defesa, porque o Bernal falou aquilo, mas nas imagens dá para ver que ele já entra armado e aponta em direção à vítima", afirmou o delegado. "Essa tese, se a gente for olhar por esse viés, é difícil, mas pedi para a perícia analisar bem essas imagens".

A defesa da família da vítima reforça que Roberto Mazzini estava desarmado e não teve chance de defesa durante o ataque. A família clama por justiça e confia que os fatos serão rigorosamente apurados, com a devida responsabilização dos envolvidos.

Vítima era servidor público dedicado

Roberto Carlos Mazzini era fiscal tributário desde 2008 e trabalhava na Secretaria Estadual de Fazenda de Mato Grosso do Sul. Ele deixa esposa e três filhos, que agora buscam justiça pelo crime brutal. A trajetória profissional de Mazzini era marcada pela dedicação ao serviço público e ao cumprimento das obrigações fiscais do estado.

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O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer todos os detalhes do homicídio, incluindo as circunstâncias que levaram ao encontro das duas pessoas no imóvel e as motivações por trás do uso da arma não registrada. Alcides Bernal permanece preso aguardando andamento processual.