Ex-prefeito de Campo Grande mata fiscal tributário em mansão avaliada em R$3,7 milhões
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, está em prisão preventiva no presídio militar da capital sul-matogrossense após cometer homicídio contra o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu na terça-feira (24) na mansão do ex-prefeito, localizada em área nobre da cidade, especificamente na rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados.
Detalhes do imóvel e aquisição por leilão
A residência, com 678 m² de área construída em um terreno de 1,4 mil m², foi avaliada em R$3,7 milhões. Roberto Carlos Mazzini, servidor público da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz), havia arrematado a propriedade em leilão por R$2,4 milhões. A Caixa Econômica Federal assumiu definitivamente a casa em 25 de julho de 2025 por falta de pagamento do financiamento original e levou o imóvel a leilão em 25 de novembro de 2025.
O imóvel possui três quartos, dois banheiros, três salas, cozinha, lavabos, área de serviço e seis vagas de garagem. Bernal adquiriu a propriedade em 16 de agosto de 2016 por R$1,7 milhão, utilizando-a como garantia para um financiamento de R$858 mil com prazo de 29 anos junto à Caixa.
Circunstâncias do crime e versões conflitantes
Segundo Alcides Bernal, ele foi alertado pelo sistema de segurança sobre uma suposta invasão e agiu em legítima defesa. No entanto, a família de Mazzini apresentou versão completamente diferente através de nota oficial. Eles afirmam que o fiscal estava no imóvel de forma legal, após a casa ter sido adquirida em leilão junto à Caixa Econômica Federal.
"O imóvel em questão havia sido adquirido diretamente junto à Caixa Econômica Federal. Tratava-se de um bem que já não pertencia ao antigo proprietário", declarou a família na nota. Eles acrescentaram que o cartório competente certificou que o imóvel se encontrava desocupado no momento da aquisição.
Histórico judicial complexo da propriedade
A mansão teve um trajeto judicial turbulento nos últimos anos:
- Em outubro de 2017, a Justiça determinou indisponibilidade de 50% da casa
- A restrição foi cancelada e reaplicada várias vezes em 2018
- Em novembro de 2021, a Justiça bloqueou a posse direta do imóvel
- Em abril de 2024, o Ministério Público Estadual penhorou a casa no valor de R$3 milhões
- Em junho de 2025, a Prefeitura de Campo Grande fez arresto da propriedade para garantir pagamento de dívida tributária de R$80.287,97
Notificação de desocupação e reação fatal
Após o crime, foi encontrada no carro de Mazzini uma notificação extrajudicial assinada em 20 de fevereiro deste ano, pedindo que Alcides Bernal desocupasse o imóvel voluntariamente no prazo de 30 dias. O documento reforçava que Mazzini queria reaver a casa após "venda do referido imóvel pela Caixa Econômica Federal".
A família da vítima descreveu os momentos finais: "Roberto Mazzini estava desarmado, foi atingido covardemente nas costas e não teve qualquer possibilidade de defesa". Eles afirmam que, segundo informações apuradas, Bernal dirigiu-se ao local armado após ser notificado por equipe de segurança e ingressou na residência efetuando disparos.
Sepultamento e pedido por justiça
O corpo de Roberto Carlos Mazzini foi sepultado na tarde de quarta-feira (25). A família manifestou profunda consternação e tristeza, descrevendo Mazzini como "um homem de família — filho, pai, esposo, irmão e sogro — cuja perda deixa um vazio irreparável".
Em sua nota, a família clama por justiça e confia que os fatos serão rigorosamente apurados, com a devida responsabilização dos envolvidos. O caso continua sob investigação das autoridades competentes, enquanto Alcides Bernal permanece custodiado no presídio militar de Campo Grande aguardando andamento processual.



