O ex-prefeito de Pirapozinho (SP), Rubens Delorenzo Barreto, foi esfaqueado por duas travestis na capital paulista e encontra-se internado em estado grave. O incidente violento ocorreu durante um encontro amoroso na última segunda-feira (2), na Avenida Marquês de São Vicente, localizada no bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo.
Detalhes do ataque e situação clínica
De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), duas jovens, com idades de 19 e 24 anos, foram identificadas como suspeitas do crime. Em depoimento à polícia, elas relataram que passaram o dia com a vítima e que a agressão teria ocorrido após uma discussão acalorada sobre um valor previamente combinado. Segundo as suspeitas, Rubens teria se recusado a efetuar o pagamento, o que resultou em uma luta corporal e nos golpes de faca que o deixaram gravemente ferido.
O ex-político foi socorrido imediatamente após o ocorrido e transportado para o Hospital Samaritano Paulista, onde permanece internado em estado considerado grave pela equipe médica. Em nota oficial ao g1, a unidade hospitalar informou que não divulgará atualizações detalhadas sobre o quadro clínico do paciente. Essa decisão está em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e visa respeitar a privacidade da família durante este momento delicado.
Trajetória política marcada por controvérsias
Rubens Delorenzo Barreto teve uma carreira política que remonta à década de 1980, quando foi eleito prefeito de Pirapozinho. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), ele e seu vice, Valdomiro Favaretto (PDS), foram eleitos em 15 de novembro de 1982, com 2.620 votos. Na época, esse número equivalia a 30,41% dos votos válidos, considerando que os votos em branco ainda eram contabilizados como válidos. Pelos critérios atuais, descontados os 630 votos em branco, o percentual seria de 32,81%.
Cassação do mandato e processos judiciais
O mandato de Rubens, originalmente previsto para quatro anos, foi prorrogado devido ao cancelamento do pleito municipal de 1986. Ele permaneceu no cargo até 2 de junho de 1988, quando teve o mandato cassado por decisão do Plenário da Câmara Municipal de Pirapozinho. Essa cassação ocorreu após uma apuração do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre as contas do município, embora detalhes públicos sobre o teor da decisão sejam escassos.
Anteriormente, em 19 de fevereiro de 1987, o então prefeito havia sido denunciado pelo Ministério Público de Presidente Prudente. A denúncia apontava o uso indevido, em benefício próprio ou de terceiros, de bens, rendas ou serviços públicos, conforme o artigo 1º, inciso II, da Lei de Crimes de Responsabilidade de Prefeitos. No entanto, o juiz da 1ª Vara Criminal de Presidente Prudente recebeu a denúncia sem decretar prisão preventiva ou afastamento do cargo, e pedidos posteriores nesse sentido também foram negados.
Anulação da ação penal e fim da carreira política
Em 20 de outubro de 1989, mais de um ano após a cassação do mandato, a ação penal contra Rubens foi julgada improcedente durante uma sessão da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Com essa decisão, o tribunal anulou o processo desde o início e determinou o arquivamento da ação. Recursos apresentados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) foram considerados prejudicados, encerrando definitivamente o caso judicial.
Segundo o TRE-SP, não há registro de novas candidaturas de Rubens Delorenzo Barreto após seu mandato como prefeito de Pirapozinho, marcando o fim de sua trajetória na vida pública. A reeleição não era permitida na época, o que impediu uma possível recondução ao cargo, sendo autorizada apenas posteriormente com a Emenda Constitucional nº 16, de 1997.
Investigações em andamento
Enquanto isso, as investigações policiais sobre o ataque a faca continuam em andamento. As duas suspeitas estão sendo interrogadas, e a polícia busca esclarecer todos os detalhes do ocorrido, incluindo motivações e circunstâncias que levaram à violência extrema. O caso tem chamado a atenção pública devido ao perfil da vítima e à natureza grave do incidente, levantando questões sobre segurança e conflitos urbanos na região metropolitana de São Paulo.



