Ex-líder espiritualista preso no Rio por abusos sexuais em centro religioso
Ex-líder espiritualista preso no Rio por abusos sexuais

A Polícia Civil do Rio de Janeiro efetuou a prisão de um ex-chefe de um centro espiritualista localizado na Ilha do Governador, na Zona Norte da cidade, nesta quarta-feira, dia 18. Marcelo Antônio Marques Prazeres foi detido no mesmo bairro onde operava o centro religioso, após estar foragido da Justiça. Ele havia sido condenado em 2023 a cinco anos e meio de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude, cometido dentro da instituição espiritualista.

Centro Espiritualista Semeadores da Luz: local dos crimes

Os abusos sexuais ocorreram no Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), uma casa que prega o universalismo como filosofia, reunindo vertentes religiosas diversas, incluindo Umbanda, Candomblé, Igreja Gnóstica Cristã e correntes orientais. Segundo as investigações, Marcelo aproveitava sua posição de liderança para cometer os crimes, que se estenderam por um longo período.

Mais de 100 vítimas entre 2009 e 2016

O Ministério Público do Rio de Janeiro, que denunciou Marcelo em 2018, apontou que mais de 100 abusos foram praticados por ele entre os anos de 2009 e 2016. Os crimes seguiam um padrão semelhante: as vítimas, em consultas com entidades incorporadas por Marcelo, eram informadas de que estavam prontas para serem iniciadas ritualisticamente, com ele próprio atuando como a autoridade da iniciação.

Uma das vítimas relatou ao MPRJ: "Na última sessão, pediu que sentasse no colo dele, o abraçasse com minhas pernas e meus braços e eu devia entoar um mantra e respirar, assoprar um ar, dentro da boca dele. E ele fazendo a mesma coisa com contato labial. No final da sessão, tamanha era a minha confiança nele, que eu realmente não entendi que estava sendo assediada sexualmente".

Abusos durante práticas religiosas

Durante essas supostas práticas religiosas, as vítimas – tanto homens quanto mulheres – eram violadas sexualmente, com toques, masturbação e penetração. De acordo com a denúncia, as vítimas não desconfiavam das intenções de Marcelo porque admiravam e acreditavam que ele era um mentor espiritual legítimo, o que facilitava a manipulação.

Prisão considerada crucial pela polícia

O delegado Mauro César da Silva, titular da Desarme, destacou a importância da prisão: "Essa prisão é muito importante para a sociedade. As vítimas relataram que ele aproveitava da sua posição de liderança para fanatizar as pessoas e torná-las escravas e dependentes do Centro. Usar a fé das pessoas para obter vantagens de cunho econômico e sexual é algo muito grave. Felizmente ele foi condenado, preso e, agora, cumprirá sua pena".

Encaminhamento e situação de outro acusado

Marcelo será encaminhado à Secretaria de Administração Penitenciária, onde passará por uma audiência de custódia antes de começar a cumprir sua pena. Além dele, Leonardo Campello Ribeiro, também condenado a cinco anos de prisão pelo mesmo crime, permanece foragido, segundo as autoridades.

Este caso evidencia a gravidade dos crimes cometidos sob o pretexto de práticas religiosas e a necessidade de vigilância constante por parte das instituições de justiça e segurança pública para proteger os fiéis de abusos e exploração.