Justiça do Rio cassa liberdade condicional do ex-goleiro Bruno, que pode retornar à prisão
A Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro decidiu nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, tornar sem efeito o livramento condicional do ex-goleiro Bruno Fernandes. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pode resultar na prisão imediata do réu, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio.
Motivação da cassação e prazo para regularização
O Ministério Público solicitou a revogação do benefício porque Bruno não foi localizado nos endereços informados ao Juízo para a assinatura do Termo de Cerimônia. A informação sobre essa ausência só chegou à Promotoria em 15 de janeiro de 2026, três anos após a solicitação inicial. O MP-RJ entende que, devido a essa falha, o livramento condicional nunca foi propriamente efetivado, o que justificou o pedido para que fosse tornado sem efeito de maneira imediata.
Em nota, o Ministério Público do Rio adiantou que, caso o Judiciário concorde com a posição, pode ocorrer a prisão do apenado. Bruno Fernandes cumpria pena em regime semiaberto antes de receber o benefício do livramento condicional. Agora, ele tem até cinco dias para comparecer ao Conselho Penitenciário e oficializar o benefício. Caso contrário, está sujeito a voltar à cadeia.
Contexto do caso e recente aparição pública
O ex-goleiro Bruno foi preso em 2013, passou para o regime semiaberto em 2019 e estava em liberdade condicional até a decisão desta sexta-feira. Na quarta-feira, 4 de fevereiro, ele foi ao Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para assistir ao jogo entre Flamengo e Internacional, que terminou em um empate vaiado. Bruno foi goleiro do Flamengo de janeiro de 2007 a 2010, quando o time carioca rescindiu seu contrato em meio às investigações da morte de Eliza Samudio.
Detalhes do crime que chocou o Brasil
O homicídio de Eliza Samudio, ocorrido em 2010, foi um caso que mobilizou a opinião pública nacional. Uma reportagem de 2012 revelou informações inéditas sobre a morte, incluindo detalhes técnicos, científicos e testemunhais que mostravam a articulação de Bruno e seu grupo para atrair, sequestrar, matar e desaparecer com o corpo da modelo. Segundo a apuração, a morte foi planejada por pelo menos cinco meses.
Eliza Samudio teve um caso com Bruno, que era casado e tinha outras relações, e a situação veio à tona em outubro de 2009, quando ela foi agredida e ameaçada. Com medo, refugiou-se na casa de amigos, mas em 2010 foi atraída de volta ao Rio com promessas de apoio financeiro e moradia. Ela chegou à cidade em maio de 2010 e foi levada a um sítio do goleiro em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde foi assassinada.
O caso continua a gerar repercussões na Justiça, com a recente decisão destacando a rigidez das autoridades em monitorar o cumprimento de penas e benefícios concedidos a condenados por crimes graves.



