Ex-CEO da Hurb tem nova prisão preventiva decretada pela Justiça
Ex-CEO da Hurb tem nova prisão preventiva decretada

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na última quarta-feira (7 de janeiro de 2026), uma nova prisão preventiva contra o empresário João Ricardo Rangel Mendes, que foi diretor-executivo da empresa de viagens Hurb. A decisão judicial atende a um pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e marca mais um capítulo turbulento na trajetória do ex-executivo.

Flagrante no Ceará com documento adulterado

O juiz André Felipe Veras de Oliveira assinou a ordem de prisão após Mendes ser surpreendido tentando embarcar em um voo no aeroporto de Jericoacoara, no Ceará, na noite da última segunda-feira (5 de janeiro). Segundo as autoridades, ele estava utilizando um documento de identidade falsificado e sua tornozeleira eletrônica, imposta como medida cautelar em um processo anterior, estava completamente descarregada.

O uso do documento adulterado configura um crime autônomo. Além disso, o estado da tornozeleira foi interpretado pela Justiça como um claro descumprimento das condições impostas para sua liberdade, representando, nas palavras do magistrado, um risco concreto à ordem pública.

Defesa contesta, mas juiz acata relatório do sistema penitenciário

A defesa do ex-CEO tentou reverter a decisão. Os advogados argumentaram que a viagem ao Ceará havia começado em 29 de dezembro e, portanto, não teria ultrapassado o período máximo de 30 dias fora do Rio de Janeiro sem autorização judicial. Eles também alegaram que não havia provas de que a bateria da tornozeleira foi desligada intencionalmente.

No entanto, o juiz não aceitou os argumentos. Ele se baseou em um relatório da administração penitenciária que apontava "reiteradas violações de monitoramento" por parte de Mendes. O magistrado também acatou a tese do MPRJ de que o empresário vinha desrespeitando outras determinações, como a obrigação de apresentar relatórios médicos regularmente.

Contexto do caso e histórico recente

Após o flagrante no aeroporto cearense, João Ricardo Mendes foi autuado por uso de documento falso e, após uma audiência de custódia, obteve liberdade provisória no dia 6 de janeiro. Contudo, a Justiça fluminense reavaliou a situação no dia seguinte, decretando a prisão preventiva com base no conjunto de descumprimentos.

Este não é o primeiro episódio do tipo envolvendo o ex-executivo. No início de 2025, ele já havia sido preso no Rio, acusado do furto de obras de arte de um hotel de luxo. Naquele mesmo ano, a Hurb, empresa que ele comandava, foi forçada a encerrar suas operações formais no Brasil em abril, após uma grave crise que incluiu sanções de órgãos reguladores e milhares de reclamações de clientes que não receberam os pacotes de viagem adquiridos.

Diante da nova ordem de prisão, a defesa de Mendes informou que considera a medida "descabida" e vai recorrer da decisão. Até o momento, as autoridades não têm informações precisas sobre o paradeiro atual do empresário.