Empresário foragido é capturado na Bahia após quase um quarto de século por crime em São Paulo
O empresário Sergio Nahas foi finalmente preso na Bahia, encerrando uma fuga de quase 24 anos após o assassinato de sua esposa, ocorrido em São Paulo no ano de 2002. A captura aconteceu na Praia do Forte, localizada no litoral baiano, graças à eficiência de um sistema de reconhecimento facial que identificou seu rosto e acionou imediatamente as autoridades policiais.
Tecnologia como aliada na localização do foragido
André Borges, superintendente de Telecomunicações da SSP-BA, detalhou a operação: "Em dois momentos conseguimos identificar a presença dele e no sábado, dia 17, as equipes foram para campo. Ele não reagiu à prisão e automaticamente foi conduzido para a delegacia competente". A ação demonstra como a inovação tecnológica tem se tornado uma ferramenta crucial no combate ao crime e na busca por foragidos da justiça.
Histórico do crime e condenação judicial
O crime chocou a sociedade paulista em 2002, quando Fernanda, esposa de Nahas, foi encontrada morta dentro do apartamento do casal. Durante as investigações, o empresário sempre sustentou a versão de que a vítima teria cometido suicídio após uma discussão conjugal. Contudo, em 2018, após um longo processo, o Tribunal do Júri de São Paulo o condenou pelo assassinato.
A justiça concluiu que Fernanda foi morta pelo marido após descobrir traições e manifestar desejo de divórcio, com o agravante de que Nahas fazia uso de drogas na época. Apesar da condenação a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, ele recorreu em liberdade, prolongando a impunidade.
Decisão do STF e prisão efetiva
Somente em maio de 2025 o Supremo Tribunal Federal determinou o cumprimento imediato da pena, mas a localização do foragido só ocorreu agora. No momento da prisão, a Polícia Militar da Bahia apreendeu 17 porções de cocaína e três celulares em posse de Sergio Nahas. Atualmente, ele está detido em um complexo penal em Salvador e aguarda transferência para São Paulo, onde começará a cumprir sua sentença.
Alívio e justiça tardia para a família da vítima
Davi Gebara Neto, advogado da família de Fernanda e amigo de infância da vítima, expressou um misto de alívio e tristeza: "Destruiu a família. O pai da Fernanda faleceu sem ver a Justiça. A mãe da Fernanda, os irmãos, a sociedade no todo se abalou por essa demora. Foi um alívio em saber que agora está sendo feita a justiça, que agora ele vai para a cadeia e vai pagar pelo crime que ele fez". Suas palavras refletem o impacto prolongado do crime e a espera angustiante por resolução.
Este caso evidencia não apenas a gravidade de crimes passionais, mas também os desafios do sistema judiciário brasileiro em garantir a efetivação das penas, mesmo com avanços tecnológicos que facilitam a captura de foragidos.