Empresário de BH vai a júri por matar gari a tiros após discussão no trânsito
Empresário de BH vai a júri por assassinato de gari

Empresário enfrentará júri popular por assassinato de gari em Belo Horizonte

A Justiça de Minas Gerais determinou que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior seja submetido a júri popular pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrido em Belo Horizonte. A decisão de pronúncia foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri da capital mineira, e ainda cabe recurso.

Crime registrado por câmeras de segurança

O episódio violento aconteceu em agosto do ano passado, quando Renê Junior, dirigindo um veículo elétrico da marca BYD, envolveu-se em uma discussão com trabalhadores da coleta de lixo no bairro Vista Alegre. Testemunhas e imagens de câmeras de segurança mostram que o empresário exigiu espaço para passar e, em seguida, sacou uma pistola semiautomática calibre 38, ameaçando os garis.

Durante o confronto, o cartucho da arma chegou a cair no chão, mas o acusado o recolheu, carregou a pistola e efetuou um disparo contra Laudemir de Souza Fernandes. A vítima não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Após o crime, Renê Junior seguiu sua rotina normalmente, incluindo passear com seu cachorro e frequentar uma academia, onde foi preso em flagrante horas depois.

Qualificadoras mantidas pela juíza

A magistrada considerou haver provas suficientes da materialidade do crime e indícios de autoria, mantendo as qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. Em sua decisão, a juíza destacou a frieza da conduta e a completa indiferença demonstrada pelo acusado em relação à vida humana.

Além do homicídio qualificado, Renê da Silva Nogueira Júnior responderá por crimes conexos, incluindo:

  • Ameaça contra a motorista do caminhão de coleta de lixo
  • Porte ilegal de arma de fogo
  • Fraude processual

Tentativa de fraudar a perícia

De acordo com as investigações do Ministério Público, o empresário tentou induzir a perícia a erro ao solicitar que sua esposa, que é delegada de polícia, entregasse uma arma diferente da utilizada no crime. Esta tentativa de fraude processual foi incluída na denúncia e será analisada durante o julgamento.

O caso segue agora para a fase de julgamento pelo Conselho de Sentença, onde a sociedade, representada pelos jurados, decidirá sobre a culpabilidade do acusado. A decisão judicial reforça o rigor do sistema de justiça mineiro em casos de violência urbana e homicídios qualificados.