Empresário condenado a 9 anos por tentativa de homicídio foge antes da sentença em Açailândia
Empresário condenado a 9 anos foge antes da sentença no MA

Empresário condenado por tentativa de homicídio foge antes da sentença em Açailândia

O empresário Jonathan Silva Barbosa, condenado por tentativa de homicídio contra o jovem Gabriel Silva Nascimento, fugiu do Fórum de Açailândia momentos antes da leitura da sentença. Ele foi condenado a nove anos, quatro meses e quinze dias de prisão em regime inicialmente fechado, sem possibilidade de recorrer em liberdade, e permanece foragido desde segunda-feira (16).

Fuga durante o julgamento

Jonathan foi um dos últimos a ser ouvido durante o julgamento no Tribunal do Júri, mas, antes da leitura da sentença, deixou o Fórum sem ser notado pelas autoridades. Após a conclusão do julgamento, a Polícia Civil emitiu imediatamente um mandado de prisão, porém o empresário não se apresentou à delegacia e não foi localizado até o momento.

A defesa da vítima informou que não recorrerá da sentença, mas destacou a importância da prisão de Jonathan para o efetivo cumprimento da Justiça. "Os jurados acolheram a defesa de que não houve racismo", afirmou o advogado de Gabriel. O Ministério Público e a acusação manifestaram satisfação com a condenação, considerando-a justa e proporcional ao crime cometido.

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Antecedentes criminais do empresário

Jonathan Silva Barbosa já possui antecedentes criminais registrados. Em 2019, ele foi condenado por homicídio culposo no trânsito após atropelar e matar um homem de 54 anos em Açailândia. Naquela ocasião, cumpriu pena de dois anos e oito meses, convertida em multa e suspensão do direito de dirigir.

Detalhes do crime de 2021

O crime pelo qual Jonathan foi condenado ocorreu no dia 18 de dezembro de 2021, quando ele e Ana Paula Costa Vidal agrediram brutalmente Gabriel Silva Nascimento na porta da própria casa do jovem, no condomínio onde todos residiam. Gabriel estava fazendo manutenção no carro antes de viajar para uma confraternização da empresa onde trabalha como recepcionista.

Segundo a denúncia, os agressores confundiram Gabriel com um ladrão e o submeteram a violentas agressões, incluindo socos, chutes, pisões e asfixia. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Jonathan pisa no pescoço do jovem enquanto Ana Paula coloca os joelhos em sua barriga.

"Foi aqui que eu achei que iria morrer. É no momento que ele sobe em cima de mim, junto com ela, com os joelhos... Ali é sufocante, porque ela manda ele me imobilizar, pisando no meu pescoço. Eu me senti sem ar", relatou Gabriel em entrevista.

Questão racial no processo

Apesar da defesa da vítima argumentar que o racismo teria motivado as agressões - já que Gabriel foi confundido com ladrão apenas por ser negro -, os jurados não reconheceram esse elemento como qualificador do crime. O caso foi acompanhado desde o início pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán, entidade que atua no combate ao racismo.

"É extremamente importante que a Justiça dê uma resposta a casos como esse para que a sociedade compreenda a gravidade do crime cometido", destacou representante da entidade.

Desdobramentos do caso

O processo foi desmembrado, e Ana Paula Costa Vidal, apontada como participante das agressões, será julgada separadamente por lesão corporal. Ela já pediu desculpas por meio de nota, afirmando que não teve uma atitude racista.

Gabriel Silva Nascimento, por sua vez, precisou se mudar do prédio onde morava - que pertence à família de Ana Paula - e teve acompanhamento policial para retirar seus pertences do local, ainda com medo de represálias.

O julgamento ocorreu após três adiamentos do processo e contou com a oitiva de cinco testemunhas além da vítima. Durante a sessão, Jonathan Silva Barbosa permaneceu acompanhado de dois defensores públicos antes de cometer sua fuga.

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