Justiça do Acre condena dupla por execução de sobrinho-neto da ministra Marina Silva
A Justiça do Acre condenou, na última terça-feira (3), os acusados André de Oliveira da Silva e Denis da Rocha Tavares a mais de 30 anos de reclusão pelo assassinato de Cauã Nascimento Silva, de 19 anos, sobrinho-neto da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O crime ocorreu em fevereiro de 2024, na capital Rio Branco, e envolveu uma execução a tiros dentro da residência da vítima.
Detalhes das condenações e do crime brutal
André de Oliveira foi condenado a 24 anos, seis meses e 17 dias de reclusão, além de 80 dias-multa, por homicídio qualificado e por integrar organização criminosa. Denis da Rocha recebeu pena de 12 anos, cinco meses e 13 dias de reclusão, mais 120 dias-multa, por participação na organização criminosa, sendo absolvido da acusação de homicídio direto. Ambos cumprirão as penas inicialmente em regime fechado.
De acordo com a sentença judicial, André foi o executor que efetuou três tiros em Cauã Nascimento Silva, revelando premeditação e frieza ao cometer o crime em plena luz do dia. A invasão domiciliar ocorreu mediante arrombamento, com a vítima sendo executada enquanto dormia em seu quarto, um ambiente onde legitimamente deveria sentir-se segura.
Motivação ligada a guerra de facções criminosas
A investigação da Polícia Civil apurou que a motivação do crime estava relacionada a uma disputa entre facções criminosas que atuam no bairro Taquari, em Rio Branco. Embora Cauã não tivesse passagem pela polícia ou indícios diretos de ligação com facções, ele havia sido visto supostamente pichando siglas de uma facção rival dias antes do assassinato.
O delegado responsável pelo caso, Cristiano Bastos, explicou que a vítima não era membro de facção até então, mas passou a andar com grupos que dominavam a região, levando resistentes de outra facção a ordenarem sua execução. André, réu confesso, afirmou durante o processo que recebeu ordem da facção para matar Cauã, que se mudara recentemente para o bairro.
Contexto do caso e repercussões
O crime ocorreu na Rua Baguari, bairro Taquari, onde Cauã vivia com familiares. Os acusados foram presos sete meses após o homicídio, e André foi encontrado na posse de uma pistola calibre 40, a mesma utilizada no crime. A dupla foi denunciada pelo Ministério Público do Acre em novembro de 2024 e pronunciada a júri popular em outubro do ano passado.
A sentença, que veio após 1 ano e 8 meses do homicídio, qualificou o crime por motivo torpe, baseado em vingança ligada à guerra de facções. A decisão judicial destacou que a conduta dos réus intensificou significativamente o juízo de reprovação devido à violação do ambiente doméstico.
À época do crime, a ministra Marina Silva lamentou publicamente o ocorrido em uma postagem nas redes sociais, expressando pesar pela perda e destacando que Cauã foi vítima da criminalidade que afeta jovens de periferias no Brasil. A Defensoria Pública do Acre, que representou os acusados, não se manifestou sobre o caso, conforme sua prática habitual.



