Dono de transportadora em Ribeirão Preto é preso por furto de diesel da Petrobras
Dono de transportadora preso por furto de diesel da Petrobras

Dono de transportadora em Ribeirão Preto é preso por furto de diesel da Petrobras

Wagner de Souza Leite, proprietário de uma transportadora em Ribeirão Preto (SP), foi preso na manhã desta segunda-feira (2) durante a Operação Sangria, conduzida pela Polícia Civil. Ele é apontado como o responsável pela operacionalização logística de uma quadrilha suspeita de furtar combustíveis de dutos da Transpetro, subsidiária da Petrobras. Outras seis pessoas também foram detidas por suspeitas de envolvimento no esquema criminoso, que atuava nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões à empresa.

Esquema criminoso e papéis na quadrilha

Segundo as investigações, Wagner de Souza Leite se apresentava como figura central na execução prática do esquema. Ele era responsável por disponibilizar a frota de caminhões e carretas-tanque, organizar os deslocamentos e viabilizar o transporte do combustível subtraído. Além disso, recebia valores provenientes da atividade ilícita e redistribuía o dinheiro conforme orientações superiores. O filho dele, Wagner Silva Leite, também investigado por suspeita de envolvimento, está foragido.

Os outros presos incluem:

  • Laerte Rodrigues dos Santos, apontado como um dos líderes da quadrilha, preso em Campinas (SP).
  • Marcelo Teixeira de Gouveia, dono de uma distribuidora em Paulínia (SP), na região de Campinas.
  • Luis Ricardo Pedrozo da Silva, preso em Leme (SP), com conhecimento técnico para perfuração clandestina de dutos.
  • Paulo Henrique de Lima Silva, suspeito de fornecer informações estratégicas como vigilante, preso em Monte Alegre (MG).
  • Emerson Clayton Ramineli, motorista preso em Goiânia (GO), atuando no transporte do combustível.
  • Calil Fernando Carneiro, ex-motorista que atuava na preparação do duto, preso em Ribeirão Preto.

Estrutura da organização criminosa

As investigações da Polícia Civil indicam que a quadrilha era dividida em, pelo menos, três núcleos bem definidos:

  1. Liderança: Coordenada por Laerte Rodrigues dos Santos, responsável pelo recrutamento, definição de valores, autorização de carregamentos e planejamento de ações.
  2. Logística: Envolvendo Wagner de Souza Leite e Marcelo Teixeira de Gouveia, tratando de negociações, ajuste de documentação e pagamentos.
  3. Execução: Com integrantes como Luis Ricardo Pedrozo da Silva e Emerson Clayton Ramineli, atuando diretamente na perfuração e transporte do combustível.

Operação Sangria e impactos

De acordo com o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, a quadrilha passou a ser monitorada em agosto do ano passado, após um furto em um duto entre Ribeirão Preto e Cravinhos (SP). As ações policiais foram realizadas em pelo menos sete cidades: Ribeirão Preto, Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira (SP), Conchal (SP) e Jardinópolis (SP).

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca em duas empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Além disso, foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos informáticos, que serão periciados.

Baldochi destacou que a operação visa atuar não só contra a subtração de combustível, mas também contra os consequentes danos à infraestrutura dutoviária, impactos operacionais e riscos ambientais. "São tipos de crime que causam enorme prejuízo à empresa, não só do combustível subtraído, mas o reparo desses dutos, esses dutos ficam parados, ou seja, há um enorme risco de desabastecimento, além dos crimes ambientais", afirmou.

Respostas das defesas e colaboração da Transpetro

À EPTV, afiliada da TV Globo, a defesa de Wagner de Souza Leite informou que aguarda ter acesso integral das investigações para se posicionar sobre o assunto. As defesas dos outros presos não se manifestaram até a última atualização da reportagem.

Em nota, a Transpetro informou que, entre 2024 e 2025, registrou aumento no número de ataques criminosos a dutos operados pela empresa nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A empresa afirmou que colabora com as investigações, mantendo articulação constante com órgãos de segurança pública, como as polícias civis e militares, os Ministérios Públicos e o Disque Denúncia.

Todos os envolvidos devem responder por crimes de furto qualificado, receptação e organização criminosa, com a operação destacando os esforços das autoridades para combater esse tipo de atividade ilegal que afeta a economia e a segurança nacional.