Polícia investiga desvio de créditos escolares destinados a estudantes de São Paulo
A Polícia Civil está conduzindo uma investigação para esclarecer como criminosos conseguiram desviar créditos destinados a estudantes da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo. Esses recursos são utilizados para a compra de material e uniformes escolares, sendo um benefício crucial para muitas famílias da capital paulista.
Família descobre fraude ao tentar usar benefício
O caso veio à tona quando uma família residente na Brasilândia, localizada na Zona Norte de São Paulo, identificou uma situação inusitada. Os valores disponíveis para a compra de materiais haviam sido utilizados em uma loja de material escolar situada na Zona Sul da cidade, a mais de quarenta quilômetros de distância da escola das crianças.
Na semana passada, Arliene da Rocha Santos, dona de casa e mãe das crianças, dirigiu-se a uma loja próxima de sua residência para utilizar os créditos disponibilizados pela prefeitura. No entanto, ela não conseguiu concluir a compra, sendo informada de que a transação já havia sido realizada anteriormente.
"Fui realizar a compra de material e do uniforme dos meus filhos e alguém já tinha comprado no meu lugar. Meus filhos vão começar as aulas sem uniforme escolar e sem material", relatou Arliene. "É constrangedor, porque a pessoa que me atendeu na loja falou que eu já havia comprado, sendo que não era bem assim. Eu não fui a lugar nenhum, tinha ido [comprar] pela primeira vez", completou a vítima.
Registro policial e detalhes do caso
Arliene registrou um boletim de ocorrência online na última quarta-feira, informando que, em treze de janeiro, foi efetuada uma compra em seu nome em uma loja de material escolar, apesar de ela não ter adquirido nenhum item. No documento, ela também relatou que seus filhos foram prejudicados por não conseguir comprar material nem uniforme para o início das aulas.
A dona de casa mora numa região próxima ao Parque Estadual da Cantareira, enquanto a loja citada no boletim de ocorrência fica na Zona Sul, nas imediações da Represa Billings. No mesmo dia do registro, a loja onde o crédito foi utilizado indevidamente enviou um e-mail à prefeitura solicitando orientações sobre o uso fraudulento do benefício.
No comunicado, o estabelecimento afirmou que as compras são feitas por meio de um aplicativo específico, com uso de senha pessoal, e que posteriormente responsáveis entraram em contato informando que não realizaram a compra. Isso levanta questões sobre a segurança do sistema de acesso aos créditos.
Respostas das autoridades e solidariedade
Arliene também procurou a Prefeitura de São Paulo, que informou que analisaria o caso e daria uma resposta em até dez dias. Diante da situação delicada, o dono da loja em que ela pretendia originalmente comprar os itens decidiu ajudá-la, doando os materiais necessários para os filhos da dona de casa.
"A empresa está dando. O meu gerente autorizou", afirmou a atendente Raíssa Gomes, demonstrando um gesto de solidariedade em meio ao constrangimento causado pela fraude.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como estelionato e que Arliene será ouvida nos próximos dias como parte das investigações. A Prefeitura de São Paulo declarou, em nota oficial, que está apurando o ocorrido e que todas as medidas cabíveis serão tomadas para resolver a situação e prevenir novos casos.
Este incidente destaca vulnerabilidades no sistema de distribuição de benefícios educacionais e reforça a importância de mecanismos de segurança mais robustos para proteger os recursos destinados às famílias em situação de vulnerabilidade social.