Deolane Bezerra escreve carta da prisão e nega ligação com o PCC
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, presa na última semana durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil sob suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), escreveu uma carta da penitenciária onde está detida. Na mensagem, ela afirma estar presa "por pura perseguição" e reitera sua inocência, negando qualquer participação em organização criminosa.
"Mais uma vez, a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião. Gostaria de expressar minha indignação, já que nunca fiz parte do crime organizado. Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como advogada)", disse Deolane em trecho da carta, que foi ditada à irmã, Dayanne Bezerra, também advogada.
Investigação começou em 2019
A apuração teve início em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes manuscritos escondidos em celas na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Os documentos continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes e referências a ações violentas. A partir daí, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas, com sede em Presidente Venceslau, que seria usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção.
Segundo o Ministério Público, a transportadora fazia repasses para contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane. "Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Já disse muitos 'nãos' para manter meus princípios e minha ética", afirmou a influenciadora.
Habeas corpus negado
No domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas corpus em caráter liminar apresentado pela defesa de Deolane. Os advogados agora aguardam o julgamento do mérito e avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitar um pedido de prisão domiciliar, por entender que não houve "manifesta ilegalidade" na prisão.
Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado. Ela nega as acusações e afirma que foi presa por ter exercido a profissão de advogada em um serviço pelo qual recebeu R$ 24 mil de cliente. "A justiça vai ser feita", declarou.
Carta na íntegra
Na carta, Deolane também se defende das acusações de possuir 37 empresas em seu nome, classificando a informação como mentira. "Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial", escreveu. Ela ainda pediu para ser ouvida, afirmando que nunca foi chamada para prestar esclarecimentos sobre o caso, apesar de ser citada em reportagens desde 2022.
"Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos", desabafou.
Acusações e ligação com Marcola
A Polícia Civil afirma que o principal elo entre Deolane e Marcola, líder do PCC, seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção, que mora em Madri, na Espanha. A investigação aponta que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora usada no esquema. Além disso, a polícia não identificou prestação de serviços compatível com os valores recebidos pela influenciadora.
Deolane Bezerra ganhou projeção nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021. Ela acumula mais de 21 milhões de seguidores no Instagram e frequentemente publica conteúdos ostentando carros de luxo, viagens e mansões. Esta é a segunda prisão da influenciadora em menos de dois anos: em 2025, ela já havia sido alvo de investigação sobre lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online.



