Delegado relembra investigação complexa do crime que vitimou ator Gerson Brenner em 1998
Delegado relembra investigação do crime contra Gerson Brenner em 1998

Delegado detalha investigação do crime que marcou a vida do ator Gerson Brenner

Após o falecimento do ator Gerson Brenner, aos 66 anos, nesta segunda-feira (23), o delegado aposentado Francisco Del Poente compartilhou detalhes da complexa investigação do crime que vitimou o artista em 1998. Na época, Del Poente era titular do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes e liderou as apurações do caso, que ocorreu na Rodovia Ayrton Senna, próximo a Guararema.

Desafios da investigação sem tecnologia moderna

O delegado enfatizou as dificuldades enfrentadas pela polícia naquele período, devido à ausência de recursos tecnológicos atuais. “Não tínhamos ferramentas como câmeras na rodovia ou monitoramento em pedágios. Trabalhávamos muito com intuição, informações e o que estava disponível, como telefone e BIP”, afirmou Del Poente. Ele destacou que o caso gerou enorme pressão, pois Brenner era um ator da TV Globo, com alta audiência, e o crime teve ampla repercussão nacional, agitando a imprensa de todo o país.

Dinâmica do crime e prisão dos envolvidos

Segundo o relato do delegado, o ator foi vítima de uma emboscada cuidadosamente planejada. Criminosos espalharam pedras na pista para danificar o veículo de Brenner, forçando-o a parar no acostamento. Três homens, um deles armado, abordaram o artista, resultando em um disparo que atingiu sua cabeça. Apesar da falta de testemunhas presenciais, a investigação reuniu indícios cruciais que levaram à identificação dos suspeitos, que residiam na região da Chácara Guanabara, no limite entre Mogi das Cruzes e Guararema.

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Uma denúncia anônima foi fundamental para localizar os criminosos, que foram presos dias após o crime. Eles foram julgados e condenados a penas superiores a 20 anos de prisão. Del Poente acredita que, atualmente, eles já cumpriram suas sentenças e estão em liberdade.

Trabalho conjunto e descoberta de drogas

A investigação contou com uma atuação conjunta entre a delegacia de Guararema e o setor de homicídios de Mogi das Cruzes, ficando sob responsabilidade da unidade especializada devido à gravidade do caso. Durante as diligências, os policiais localizaram aproximadamente 80 quilos de drogas em um imóvel ligado às investigações. “Era uma quantia considerada muito alta para a época, e por isso não esqueci desse detalhe”, recordou o delegado.

Relembrando o crime e suas consequências

O crime ocorreu em 17 de agosto de 1998, quando Gerson Brenner, então com 38 anos, viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. Ao passar por pedras na rodovia, dois pneus de seu carro furaram. Ao parar para trocá-los, foi abordado por criminosos armados. O ator tentou reagir e foi atingido por um tiro de pistola calibre .380 na testa. Socorrido por caminhoneiros, foi levado à Santa Casa de Jacareí em estado grave, com a bala atravessando seu cérebro e alojando-se próximo à nuca. Após estabilização, transferiu-se para o Hospital Israelita Albert Einstein, onde passou por cirurgia.

Brenner sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes, incluindo dificuldades de fala, cognição e mobilidade. Na época, ele estava no auge da carreira, interpretando Jorginho na novela “Corpo Dourado”. Após o ataque, envolveu-se em um longo processo de reabilitação e dedicou-se a causas sociais relacionadas à reabilitação de pessoas com deficiência. Sua morte, aos 66 anos, ocorreu devido a complicações de saúde, encerrando uma trajetória marcada por superação.

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