Banqueiro Daniel Vorcaro deixa presídio em SP e segue para Brasília em transferência federal
Daniel Vorcaro deixa presídio em SP e segue para Brasília

Banqueiro Daniel Vorcaro inicia transferência para presídio federal em Brasília

O banqueiro Daniel Vorcaro deixou a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, na manhã desta sexta-feira, dando início ao processo de transferência para uma unidade federal de segurança máxima em Brasília. A movimentação foi registrada por equipes da Rede Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba, por volta das 11h30.

Operação de segurança e trajeto até o aeroporto

Segundo apurações da repórter Laurene Santos no local, uma viatura não caracterizada interrompeu momentaneamente o trânsito na rua do presídio para facilitar a saída do comboio. Quatro veículos deixaram a unidade penal: dois pertencentes à Polícia Penal e dois da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Vorcaro estava em uma das viaturas da SAP.

O trajeto seguiu até o aeroporto de São José dos Campos, localizado a aproximadamente 70 quilômetros de distância de Potim. No aeroporto, o banqueiro deveria embarcar em uma aeronave da Polícia Federal com destino final a Brasília. Vale destacar que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, não foi transferido e permanece custodiado no presídio de Potim.

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Decisão judicial e justificativas para a transferência

A transferência foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do Banco Master na corte. Mendonça aceitou um pedido formal da Polícia Federal, que argumentou que a permanência de Vorcaro no presídio estadual paulista representava um "risco à segurança pública".

No documento, a PF ressaltou que o banqueiro "detém significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado". A penitenciária federal em Brasília, segundo a polícia, oferece condições institucionais que permitem um monitoramento mais próximo da custódia, devido à sua localização em relação aos órgãos responsáveis pela investigação e supervisão judicial.

Contexto das prisões e operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso na quarta-feira (4) em São Paulo, em uma nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos. Após a prisão, ele foi transferido para o presídio de Potim na quinta-feira (5).

Esta não é a primeira prisão do banqueiro. Em novembro do ano passado, ele já havia sido detido ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular no aeroporto de Guarulhos. A PF considerou na época que não havia dúvidas sobre sua intenção de fugir do país.

Posicionamento da defesa e alcance da operação

A defesa de Vorcaro emitiu uma nota afirmando que o banqueiro "sempre esteve à disposição das autoridades" e "jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça". O texto nega categoricamente as alegações e expressa confiança no devido processo legal.

A Operação Compliance Zero, que já está em sua terceira fase, investiga a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por uma organização criminosa. Além de Vorcaro e Zettel, foram alvo da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

A Justiça também determinou medidas como afastamento de cargos públicos, sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores relacionados às práticas ilícitas apuradas.

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