Criminosos 'surfam' em trens em movimento para furtar cargas de açúcar e farelo de soja
Um grupo criminoso foi flagrado em vídeo realizando uma prática perigosa e inusitada: "surfando" em trens em movimento para furtar cargas valiosas de açúcar e farelo de soja. A Polícia Civil de São Paulo efetuou a prisão de quatro indivíduos durante uma operação realizada em Aguaí, no interior do estado, nesta terça-feira (17). As investigações revelam que o bando tinha como alvo principal commodities agrícolas e atuava na rota de escoamento que vai do interior paulista até o Porto de Santos.
Operação Ouro Branco desmantela esquema milionário
A Operação Ouro Branco, coordenada pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic), mobilizou 29 policiais civis. Durante as diligências, os agentes apreenderam três automóveis, um caminhão, uma motocicleta, sacos utilizados para o transporte da carga furtada e dois simulacros de arma de fogo, além de diversos outros materiais vinculados às atividades ilícitas do grupo.
Desde o ano de 2023, os ataques a trens cargueiros aumentaram de forma expressiva, causando prejuízos financeiros estimados em impressionantes R$ 13 milhões. As cargas pertencem à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e, durante o trajeto rumo ao porto, os criminosos acessavam os vagões ainda em movimento, retiravam o material e o jogavam ao longo da linha férrea.
Estrutura complexa da quadrilha especializada
Segundo as investigações da polícia, a organização criminosa possuía uma estrutura complexa, dividida em quatro frentes de atuação bem definidas:
- Equipe de vandalismo: Integrantes que atuavam diretamente na ferrovia, sabotando os trens para forçar paradas não programadas e abrir os vagões de carga.
- Coletores: Responsáveis por recolher o açúcar e o farelo de soja jogados na linha férrea e transportá-los para áreas de mata próximas.
- Logística: Intermediários que pagavam entre R$ 10 e R$ 15 por pessoa para transportar a carga furtada em vans e kombis até imóveis e sítios da região de Aguaí.
- Receptadores: Operavam galpões clandestinos onde o produto agrícola era limpo, reembalado e posteriormente revendido com notas fiscais fraudulentas, simulando uma origem legal.
Impactos econômicos e logísticos significativos
Além das expressivas perdas financeiras diretas, os crimes cometidos por essa quadrilha especializada também afetam severamente a logística de transporte e podem provocar escassez de produtos no Porto de Santos, gerando impactos negativos no comércio internacional. A interrupção no fluxo regular de commodities essenciais como açúcar e soja compromete contratos de exportação e a confiabilidade das cadeias de suprimentos brasileiras.
A Polícia Civil continua suas investigações para identificar e capturar outros possíveis envolvidos nesse esquema criminoso de grande escala, que utilizava métodos arriscados e elaborados para desviar cargas valiosas do setor agroindustrial paulista.
