Corretora morta em Florianópolis havia relatado decepção com administradora presa por crime
Corretora morta relatou decepção com administradora presa

Corretora gaúcha assassinada em Florianópolis havia manifestado desconfiança com administradora do condomínio antes do crime brutal

A corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, vítima de um assassinato brutal com esquartejamento em Florianópolis, havia expressado claramente sua decepção com a administradora do conjunto residencial onde morava, meses antes do crime ocorrer. A mulher em questão, Ângela Maria Moro, de 47 anos, foi presa na quinta-feira (12) e é uma das principais suspeitas de envolvimento no homicídio.

Mensagem reveladora enviada ao irmão mostra desilusão da vítima

Em uma conversa com seu irmão, Matheus Estivalet Freitas, ocorrida em novembro de 2025, Luciani enviou uma mensagem que agora ganha contornos proféticos: "Achei que a dona do residencial era minha amiga, mas ela me decepcionou". Na mesma comunicação, a corretora afirmou que não iria mais "confiar cegamente" nas pessoas, demonstrando uma mudança significativa em seu comportamento habitual.

O irmão da vítima revelou ao g1 que não sabe exatamente o que motivou o comentário específico, mas confirmou que muitas pessoas se aproveitavam da natureza confiante de Luciani. "Ela confiava demais nas pessoas", lamentou Matheus, destacando como essa característica pode ter sido explorada por indivíduos mal-intencionados.

Administradora do imóvel é presa e investigada por múltiplos crimes

A prisão de Ângela Maria Moro ocorreu inicialmente pelo crime de receptação, depois que a Polícia Civil encontrou diversos objetos pertencentes à vítima no conjunto residencial que a suspeita administrava - o mesmo local onde Luciani residia. No entanto, durante a audiência de custódia, o juiz mencionou a existência de indícios concretos de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias para aprofundar as investigações.

Na delegacia, Ângela negou veementemente qualquer envolvimento com o crime brutal. O g1 continua tentando estabelecer contato com a defesa da administradora para obter mais esclarecimentos sobre sua versão dos fatos.

Mais suspeitos são presos no desdobramento do caso

Além da administradora do condomínio, o casal Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e Letícia Jardim, de 30 anos, também foi preso sob suspeita de participação no assassinato. O homem, que morava a poucos metros da casa da corretora no mesmo conjunto residencial na Praia do Santinho, já era procurado por um latrocínio em São Paulo, aumentando as preocupações sobre seu histórico criminal.

Perfil da vítima: uma mulher que confiava excessivamente nas pessoas

Luciani era descrita por familiares como uma pessoa sorridente, amante dos animais, que gostava de cantar e possuía um jeito "lindo de ver a vida". Além de atuar como corretora de imóveis, ela também trabalhava como administradora de imóveis e turismóloga, demonstrando versatilidade profissional.

Em uma emocionante publicação nas redes sociais, seu irmão Matheus prestou homenagem à irmã assassinada: "Minha irmã era amor. Minha irmã era doçura. Ela confiou demais em pessoas que acreditava serem amigas, mas que não eram. Pessoas que se aproveitaram da sua inocência, da sua confiança, dos seus segredos e da sua vida pessoal e profissional", escreveu ele, capturando a tragédia de uma confiança mal colocada.

Sequência de eventos: do desaparecimento à descoberta do corpo esquartejado

Os familiares começaram a desconfiar que algo estava errado quando mensagens enviadas pelo celular de Luciani apresentaram vários erros gramaticais incomuns, após um período sem contato direto. A suspeita aumentou quando a corretora não parabenizou a mãe pelo aniversário em 6 de março, algo totalmente fora de seu comportamento habitual.

Embora morasse sozinha em Florianópolis, Luciani mantinha contato diário com a família através de mensagens e ligações, tornando seu silêncio prolongado ainda mais preocupante. O desaparecimento foi oficialmente registrado na segunda-feira (9).

Na quarta-feira (11), um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, Santa Catarina. A Polícia Civil confirmou na sexta-feira (13) que os restos mortais pertenciam a Luciani. Segundo as investigações, as partes do corpo foram divididas em cinco pacotes diferentes e transportadas no carro da própria vítima até uma ponte na área rural da cidade, onde foram jogadas em um córrego. Até o momento, apenas uma sacola foi localizada pelas autoridades.

O caso continua sob intensa investigação da Polícia Civil, que busca reconstruir os eventos que levaram ao brutal assassinato da corretora gaúcha e identificar todos os envolvidos na trama criminosa.