A Polícia Civil confirmou que o corpo da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, apresentava marca de tiro, com uma bala alojada na cabeça, conforme informações do advogado da família. O caso, que chocou a cidade de Caldas Novas, na região sul de Goiás, ganha novos detalhes com a perícia do celular da vítima, encontrado na sexta-feira (31).
Celular é encontrado e passa por análise forense
O aparelho foi localizado durante uma perícia policial no local onde as investigações indicam que Daiane foi interceptada pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos. Segundo o advogado Plínio Mendonça, representante da família, o celular estava em um vão próximo à porta do almoxarifado e ao padrão de energia do Edifício Ametista Tower, dentro do Residencial Golden Thermas.
O dispositivo agora está sendo analisado para verificar seu conteúdo, especialmente eventuais imagens ou mensagens relacionadas ao crime. A polícia ainda não confirmou se conseguiu acessar os dados do aparelho, mas a expectativa é que ele possa fornecer pistas cruciais sobre as circunstâncias do homicídio.
Desaparecimento e descoberta do corpo
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava e administrava seis imóveis da família. Ela foi morta no mesmo dia, de acordo com as investigações, mas seu corpo só foi encontrado em 28 de fevereiro, após a prisão de Cleber.
O síndico confessou o crime e levou a polícia até uma área de mata às margens da GO-213, a aproximadamente 15 quilômetros de distância do condomínio. O filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi preso sob suspeita de auxiliar o pai e obstruir as investigações.
Tentativas de silenciar moradores sobre o caso
Um aspecto perturbador do caso envolve as tentativas de Cleber de controlar a narrativa sobre o desaparecimento de Daiane. Em grupos de mensagens com moradores, ele proibiu discussões sobre o assunto, classificando-as como "fofoca" que prejudicaria o condomínio.
Em um áudio de 4 minutos e 49 segundos, enviado a um grupo chamado "Amigos do Ametista", o síndico pediu explicitamente que os residentes cessassem os comentários. "Eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo", afirmou ele, conforme gravação fornecida pela irmã da vítima, Fernanda Alves.
Arnaldo Alves Souza, irmão de Daiane, relatou que Cleber era "extremamente manipulador" e tentou esconder o desaparecimento. Mensagens de preocupação de moradores foram suprimidas, e aqueles que insistiam no tema eram removidos dos grupos de comunicação.
Investigações avançam com força-tarefa
Após quase um mês do desaparecimento, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para intensificar as buscas. A reconstituição dos fatos no prédio envolveu o depoimento de 22 pessoas, incluindo funcionários do condomínio.
As investigações concluíram que, entre os conhecidos de Daiane, apenas Cleber teria acesso e condições de cometer o crime sem ser visto. O delegado André Luiz destacou que o homicídio ocorreu em um intervalo de oito minutos, com o síndico usando as escadas para evitar câmeras de segurança.
Cleber saiu do condomínio dirigindo sua picape, com o corpo da vítima na carroceria, por volta das 20h do dia do desaparecimento, conforme imagens de câmeras de segurança.
Nota da defesa e andamento processual
Em nota enviada ao g1, a defesa de Cleber informou que não se manifestará sobre as circunstâncias do caso até a conclusão do inquérito policial, mas reiterou que o acusado continua colaborando com as autoridades.
O porteiro do prédio também foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, embora seu nome não tenha sido divulgado. O caso segue sob investigação, com a perícia do celular sendo um dos elementos centrais para desvendar os detalhes do crime que abalou Caldas Novas.