Confusão em UPA termina com médico detido por Guarda Municipal no RS
Confusão em UPA termina com médico detido no RS

Confusão em UPA termina com médico detido por Guarda Municipal no RS

Uma confusão registrada na noite de quinta-feira (26) em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, resultou na detenção de um médico por agentes da Guarda Municipal. O episódio ocorreu enquanto dezenas de pacientes aguardavam atendimento, e as imagens das câmeras foram divulgadas neste sábado (28), mostrando o momento em que o profissional é contido no chão e algemado.

Detenção e protestos em meio à tensão

Conforme testemunhas, o caso aconteceu por volta das 21h30 na UPA do Centro de Novo Hamburgo, iniciando-se após reclamações sobre demora no atendimento. Um dos funcionários da unidade de saúde teria pedido ajuda ao guarda que faz a segurança da UPA, mas ele teria se negado a retornar ao posto de trabalho, alegando estar jantando. Na sequência, o médico detido teria ido falar com o agente, resultando em uma discussão onde o guarda alegou desacato.

Segundo a polícia, o guarda prendeu o médico sob protestos dos funcionários e pacientes, com outros dois agentes chegando ao local. Nas imagens, é possível ouvir pessoas pedindo que os guardas soltem o médico, que foi contido no chão, com um dos agentes sentado sobre suas costas. O homem chegou a dizer: "Para, velho, está me machucando." O médico foi encaminhado à delegacia, ouvido e liberado posteriormente.

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Investigações e reações das entidades médicas

A Polícia Civil investiga o caso, com o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach anunciando a abertura de um "termo circunstanciado para instruir os procedimentos de lesão corporal e desacato." Entidades médicas se manifestaram veementemente contra a ação. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) classificou a detenção como desproporcional, destacando que vídeos e testemunhas mostram o profissional sendo colocado no chão e algemado de forma brusca, o que provocou revolta entre os presentes.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) emitiu uma nota classificando o episódio como "inaceitável episódio de violência", alegando que o médico foi brutalmente algemado e conduzido à delegacia com abuso de autoridade. O conselho já apresentou representação ao Ministério Público do Estado e exige uma apuração rigorosa e transparente.

Posicionamento da prefeitura e reuniões pós-episódio

Em nota, a Prefeitura de Novo Hamburgo afirmou que a Guarda Municipal está analisando as imagens das câmeras corporais para apurar os fatos, e que as secretarias municipais da Saúde e Segurança Pública, junto com a Fundação de Saúde Pública (FSNH), devem se reunir para discutir o caso. A administração municipal ressaltou que "um episódio isolado não deve macular os trabalhos realizados pela classe médica e Guarda Municipal", reconhecendo a importância de ambas as categorias para o funcionamento da cidade.

Após o ocorrido, o prefeito Gustavo Finck se reuniu com médicos da UPA Centro por aproximadamente duas horas, ouvindo reivindicações e manifestando solidariedade à categoria. Ele também se encontrou com agentes da Guarda Municipal, reforçando a relevância dos serviços prestados por ambos os grupos. Finck afirmou que o município está comprometido em construir um ambiente de trabalho mais adequado e seguro nas unidades de pronto atendimento.

Análise do contexto e medidas futuras

A Prefeitura de Novo Hamburgo lamentou o episódio, reconhecendo que ambientes de urgência e emergência são espaços de alta pressão que exigem condições adequadas de trabalho. Foram determinadas revisões nos fluxos de atendimento das UPAs para aprimorar rotinas e oferecer mais segurança. A Guarda Municipal, descrita como uma corporação comprometida, atua diariamente na proteção da população e preservação da ordem pública.

A FSNH informou que está acompanhando os fatos, prestando suporte ao profissional e assegurando acompanhamento jurídico. A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência e legalidade, aguardando a apuração completa pelas autoridades competentes. O Simers anunciou que vai requerer mais esclarecimentos e cobrar uma apuração imparcial, oferecendo suporte judicial ao médico envolvido.

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O caso destaca tensões em unidades de saúde públicas, onde a superlotação e falta de infraestrutura podem levar a conflitos. As investigações continuam, com foco em garantir justiça e prevenir futuros incidentes, assegurando o direito à saúde e a dignidade dos profissionais médicos.