Jovem é condenado a 31 anos por matar idosa e enterrar corpo em Barretos, SP
Condenação de 31 anos por assassinato e ocultação de cadáver em Barretos

Jovem recebe pena de 31 anos por assassinato cruel e ocultação de cadáver em Barretos

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Leonardo Silva a 31 anos e seis meses de prisão pelos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver. A vítima foi Nilza Costa Pingoud, uma mulher de 62 anos que foi estrangulada com um fio de cortador de grama e enterrada no quintal de sua própria residência, localizada na cidade de Barretos, no interior paulista.

Juiz destaca crueldade e deboche como agravantes da pena

O magistrado Luciano de Oliveira Silva, responsável pela sentença proferida na segunda-feira, 26 de fevereiro, fundamentou sua decisão em três aspectos principais. Em primeiro lugar, ele ressaltou a extrema violência empregada no assassinato, caracterizada por uma asfixia lenta e agonizante. Em segundo lugar, o juiz apontou o tom de deboche e ostentação demonstrado por Leonardo Silva em entrevistas concedidas à imprensa no momento de sua prisão.

"O histórico dos fatos revela atitude de desnecessária violência, desprovida de freios inibitórios pelo acusado. A crueldade da asfixia, que impôs à vítima morte lenta e agonizante, aliada ao tom de deboche e ostentação do crime observado em entrevistas, comprova a maior reprovabilidade da conduta", afirmou o magistrado em trecho da sentença.

Defesa recorre e questiona tipificação do crime

O advogado de defesa, Luiz Gustavo Vicente Penna, já anunciou que irá recorrer da decisão. Ele argumenta que a condenação por latrocínio – roubo seguido de morte – não se sustenta, pois seu cliente não teria tido a intenção inicial de se apropriar dos bens da vítima. A defesa defende a tese de homicídio doloso, alegando que o crime foi cometido por impulso, motivado por raiva.

"A imputação de latrocínio revelou-se, em verdade, um exercício acusatório promovido pelo Ministério Público com o objetivo de agravar artificialmente a responsabilização penal", declarou Penna. Ele expressou confiança de que uma instância superior reclassificará o crime e determinará a competência do Tribunal do Júri para um novo julgamento.

Detalhes macabros do crime cometido em julho de 2023

O assassinato ocorreu no dia 24 de julho de 2023. Leonardo Silva, que na época tinha 19 anos, pulou o muro da residência de Nilza e se escondeu em um quarto. Ao amanhecer, ele surpreendeu a vítima e a matou por asfixia. Após o crime, o jovem permaneceu na casa por vários dias, onde lavou o imóvel e vasculhou os pertences de Nilza em busca de senhas bancárias e cartões.

O corpo só foi descoberto uma semana depois, quando vizinhos estranharam o sumiço da idosa e acionaram a polícia. Os agentes notaram terra remexida no quintal e encontraram o cadáver enterrado. Leonardo foi preso preventivamente em 3 de agosto de 2023 e, durante a reconstituição do crime, debochou da situação perante jornalistas, declarando não estar arrependido.

Roubo e gastos com o dinheiro da vítima após o assassinato

As investigações da Polícia Civil revelaram que, após matar Nilza, Leonardo Silva acessou suas contas bancárias e gastou aproximadamente R$ 50 mil. Com o dinheiro da vítima, ele adquiriu:

  • Uma motocicleta
  • Móveis e eletrodomésticos para sua mãe
  • Deu entrada na compra de um apartamento em um bairro nobre de Barretos

Além disso, o réu ofereceu R$ 20 mil a quatro conhecidos para ajudá-lo a se livrar do corpo, proposta que foi recusada por todos. Em uma dessas ocasiões, ele teria usado uma arma para ameaçar uma das pessoas abordadas.

Laudo descarta insanidade mental do réu

Durante o processo, a defesa apresentou um laudo pericial particular que alegava insanidade mental de Leonardo Silva. No entanto, a Justiça determinou novos exames, que constataram que o jovem tinha plena capacidade de entender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime. Essa conclusão foi decisiva para a condenação.

O magistrado também considerou como agravante o fato de a vítima ter mais de 60 anos, embora tenha ponderado esse aspecto com a confissão do réu. A sentença ainda determinou o pagamento de 30 dias-multa e a entrega dos bens adquiridos com o dinheiro de Nilza aos familiares da vítima.

Leonardo Silva está preso desde agosto de 2023 e cumpriu a maior parte do processo em regime fechado. O caso gerou grande comoção na comunidade de Barretos, levantando discussões sobre segurança pública e a violência contra idosos.