Justiça de São Paulo condena jovem a 31 anos por latrocínio em Barretos
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo proferiu uma sentença condenatória contra Leonardo Silva, de 21 anos, por um crime que chocou a cidade de Barretos, no interior paulista. O jovem foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado pela morte de Nilza Costa Pingoud, uma mulher de 62 anos, ocorrida em julho de 2023.
Detalhes do crime e condenação
O juiz Luciano de Oliveira Silva, responsável pelo caso, emitiu a decisão na segunda-feira, 26 de fevereiro, destacando a gravidade dos atos. Leonardo foi condenado pelo crime de latrocínio, caracterizado como roubo seguido de morte, além de ocultação de cadáver. A sentença inclui também a obrigação de pagar 30 dias-multa, reforçando a severidade da punição.
Em trechos da decisão, o magistrado descreveu o delito como praticado com extrema frieza e requintes de crueldade, gerando um profundo clamor social e insegurança na comunidade local. A vítima, Nilza Costa Pingoud, foi encontrada enterrada no quintal de sua própria residência, um detalhe macabro que agravou o impacto do caso.
Recurso da defesa e alegações de insanidade mental
O advogado de defesa de Leonardo, Luiz Gustavo Vicente Penna, informou ao g1 que já recorreu da decisão, afirmando que a defesa não concorda com os termos da sentença. Durante o processo, a defesa apresentou um laudo de perícia particular que alegava insanidade mental do réu, tentando atenuar sua responsabilidade.
No entanto, após determinação judicial, Leonardo foi submetido a novos exames, que constataram sua plena capacidade de entender as ações no momento do crime. Esse laudo oficial foi crucial para fundamentar a condenação, descartando a alegação de incapacidade mental.
Contexto do crime e comportamento do acusado
O crime ocorreu em 24 de julho de 2023, quando Leonardo, então com 19 anos, invadiu a casa de Nilza em Barretos. Ele vivia nos fundos da residência da vítima, que o havia contratado para serviços domésticos após ele se apresentar como travesti e pedir ajuda. A relação se deteriorou quando Nilza o demitiu por não corresponder às expectativas.
Após deixar a cidade, Leonardo retornou em 22 de julho e, na madrugada do dia 24, pulou o muro da casa, escondendo-se em um quarto. Ao amanhecer, ele surpreendeu Nilza e a matou por asfixia com um fio. Em seguida, permaneceu no local por alguns dias, lavou a casa e enterrou o corpo no quintal, usando materiais de construção para ocultar o cadáver.
Deboche e motivações financeiras
Após a prisão em 3 de agosto de 2023, Leonardo chamou a atenção por seu comportamento debochado, confessando o crime sem arrependimento e alegando motivação por vingança. A polícia, no entanto, identificou que a principal motivação foi financeira.
Com os dados bancários da vítima, ele fez diversas compras, incluindo uma moto, eletrodomésticos e presentes para a mãe, que era amiga de Nilza. Além disso, ofereceu R$ 20 mil a conhecidos para ajudar a se livrar do corpo, ameaçando uma das pessoas com uma arma quando a oferta foi recusada.
Repercussões e medidas judiciais
A Justiça determinou a entrega dos objetos comprados com o dinheiro de Nilza aos familiares da vítima, como parte das reparações. O caso, que envolve elementos de violência, crueldade e abuso de confiança, continua a gerar discussões sobre segurança pública e justiça criminal na região.
Com o recurso da defesa em andamento, o processo segue no Tribunal Competente, mantendo o foco nas complexidades legais e sociais deste crime hediondo.