Quatro homens condenados por latrocínio e sequestro de família de garimpeiro em Coronel Murta
Condenados por latrocínio e sequestro de família em Coronel Murta

Quatro homens condenados por latrocínio e sequestro de família de garimpeiro em Coronel Murta

A Justiça de Minas Gerais condenou, nesta terça-feira (10), quatro homens por crimes que chocaram a população de Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha. Os réus foram responsabilizados pelo latrocínio do garimpeiro Romário Reis da Silva, de 24 anos, e pelo sequestro de sua esposa e filha pequena durante um assalto violento ocorrido em novembro de 2024.

Penas aplicadas pela Justiça mineira

Daniel Batista da Silva recebeu a pena mais severa, totalizando mais de 71 anos de reclusão por múltiplos crimes, incluindo:

  • Roubo majorado tentado e consumado
  • Latrocínio consumado
  • Associação criminosa
  • Extorsão mediante sequestro

Os outros três réus também foram condenados por crimes graves:

  1. Fagner Barbosa de Oliveira: 35 anos, 4 meses e 14 dias de reclusão
  2. Fernando Barbosa de Oliveira: 42 anos e 15 dias de reclusão
  3. Eduardo Oliveira Santos: 42 anos e 15 dias de reclusão

Todos os condenados cumprirão as penas em regime inicialmente fechado, conforme determinação judicial. A defesa de Daniel Batista informou que não tem interesse em se manifestar sobre a sentença, enquanto os advogados dos outros três réus não foram localizados para comentários.

Detalhes do crime que comoveu a região

Na manhã de 23 de novembro de 2024, quatro homens armados, vestindo roupas e coletes semelhantes aos utilizados por agentes de segurança pública, invadiram uma propriedade rural em Coronel Murta. Após se apresentarem falsamente como policiais, renderam o proprietário e seu sobrinho, exigindo violentamente o dinheiro da venda de pedras preciosas.

Romário Reis da Silva, filho do proprietário que morava nas proximidades, suspeitou que algo estava errado e foi até a propriedade do pai, onde também foi rendido pelos criminosos. O jovem garimpeiro foi atingido por um tiro nas costas e morreu no local.

Como não encontraram o dinheiro que procuravam, os criminosos se deslocaram para outra residência, onde estavam a esposa e a filha de três anos de Romário. Eles sequestraram as duas vítimas, fugindo no carro da família e exigindo que a mulher entrasse em contato com familiares para solicitar transferências bancárias.

Operação policial e apreensões

Uma ampla operação conjunta envolvendo a Polícia Civil, Militar e Rodoviária Federal realizou buscas e cerco na região, resultando na libertação da mãe e da filha. Ao longo das investigações, suspeitos foram presos e diversos materiais foram apreendidos, incluindo armas e dinheiro.

O delegado Paulo Sobrinho, titular da Delegacia de Araçuaí responsável pelo caso, destacou que "o crime comoveu a população de Coronel Murta e região, dada a sua crueldade". Ele enfatizou o compromisso da Polícia Civil de Minas Gerais em apurar os fatos e apresentar os responsáveis perante o Poder Judiciário.

Pronunciamento do Ministério Público

O promotor de Justiça Felipe Marques Salgado de Paiva considerou as penas aplicadas proporcionais à gravidade dos fatos. "A vítima deixou esposa e filha ainda pequena. Embora a sentença não seja capaz de restituir a vida que lhes foi brutalmente retirada, representa uma resposta do Estado e um alento aos familiares e amigos que foram privados de sua convivência", afirmou o representante do Ministério Público.

O caso, que envolveu violência extrema contra uma família, teve ampla repercussão na região do Vale do Jequitinhonha e serviu como exemplo da atuação coordenada entre órgãos de segurança pública e o sistema de Justiça para responsabilização de autores de crimes graves.