CNJ inicia investigação sobre desembargador que compareceu a local de crime de feminicídio
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deu início a um pedido de providências para investigar a conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A ação foi motivada pela presença do magistrado no apartamento onde ocorreu o feminicídio da cabo da Polícia Militar Gisele Alves Santana, supostamente assassinada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido.
Movimentação registrada por câmeras corporais gera questionamentos
Imagens capturadas por câmeras corporais mostram o desembargador se dirigindo ao local do crime no dia do ocorrido, atendendo a um chamado do militar acusado. A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), que encaminhou ofício solicitando a investigação, afirma que o comportamento do magistrado levanta sérias dúvidas sobre a integridade do processo e precisa ser rigorosamente apurado.
O CNJ confirmou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, a abertura do procedimento, que está sob segredo de Justiça. Trata-se de uma pré-investigação que, dependendo dos resultados apurados, poderá evoluir para um processo administrativo disciplinar, com possibilidade de aplicação de sanções ao desembargador.
Detalhes do crime que chocou São Paulo
O feminicídio ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal localizado no bairro do Brás, na zona leste da capital paulista. Gisele Alves Santana foi morta com um tiro na cabeça, estando apenas ela e o marido presentes no imóvel no momento do crime. Vizinhos relataram ter ouvido o disparo, mas Neto apenas acionou a polícia trinta minutos depois.
A defesa do tenente-coronel sustenta a tese de suicídio, porém a perícia técnica descartou completamente essa versão, concluindo que se tratou de assassinato. Neto foi preso preventivamente em 18 de março, em São José dos Campos, e responderá ao processo criminal na condição de preso.
Novas acusações ampliam complexidade do caso
Além do crime de feminicídio, o tenente-coronel também é acusado de fraude processual, por supostamente ter adulterado a cena do crime. Testemunhas relataram que policiais militares subordinados hierarquicamente a Neto foram chamados ao apartamento para realizar uma limpeza no local.
A presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan no cenário do crime, registrada em vídeo, tornou-se um elemento central nas investigações sobre possíveis interferências indevidas no caso. A atitude do magistrado, indo pessoalmente a um local onde um crime grave estava sendo investigado, gera preocupações sobre a isenção e a transparência do sistema judiciário.
O caso continua sob acompanhamento rigoroso do CNJ, que deverá analisar todas as evidências e depoimentos antes de tomar uma decisão definitiva sobre a conduta do desembargador. A sociedade aguarda com atenção o desfecho das investigações, que poderão estabelecer importantes precedentes sobre a atuação de magistrados em situações criminalmente sensíveis.



