Chefe do Comando Vermelho ordenou execução de secretário municipal no Ceará, revela inquérito
Chefe do Comando Vermelho ordenou execução de secretário no Ceará

Chefe do Comando Vermelho ordenou execução de secretário municipal no Ceará, revela inquérito

A morte do secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, executado a tiros na manhã da última quinta-feira (19), foi ordenada por um dos chefes do Comando Vermelho do Ceará, que está foragido no Rio de Janeiro, conforme aponta o inquérito policial. As investigações detalhadas demonstram que Wesley Pereira Babino, conhecido como "Guaxinim" e responsável pelo tráfico de drogas na cidade, arquitetou meticulosamente a trama e recrutou os criminosos envolvidos na execução brutal.

Motivação política por trás do crime

A motivação do crime estaria diretamente relacionada à crença de Guaxinim de que a influência política do secretário estivesse ligada à atuação da Polícia Militar na cidade, especificamente às operações do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio). O criminoso acreditava que essas ações prejudicavam significativamente a facção criminosa em São Luís do Curu, levando-o e outros comparsas a fugirem da cidade anteriormente.

Entre os suspeitos recrutados por Wesley, destacam-se Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos, e Gleiciane Barbosa Diniz, de 24 anos, que monitoraram Ricardo Abreu por dois dias completos e avisaram aos comparsas sobre o momento exato em que o secretário estava no comércio. Câmeras de segurança registraram as duas mulheres passando de moto pelo depósito de construção da vítima antes e durante o crime, evidenciando o planejamento minucioso.

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Monitoramento detalhado e comunicação criminosa

Dois dias antes do assassinato, Wesley Guaxinim entrou em contato com Laila pelo WhatsApp, solicitando que ela "ficasse de olho em Ricardo Abreu e avisasse quando ele estivesse pelo depósito". Os pedidos persistiram até o dia do crime, quando Wesley enviou mensagens e ligou insistentemente para que Laila fosse à casa de Gleiciane. Após seguirem de moto e darem voltas no entorno do comércio, ao avistarem o alvo, Laila enviou uma mensagem sobre o paradeiro da vítima, recebendo como resposta apenas "tá certo".

Logo em seguida, outros suspeitos chegaram ao local em um carro, dois deles desceram e executaram Ricardo Abreu no interior do comércio, na frente de um dos filhos e de um conhecido, em uma cena de extrema violência. Após a conversa, Laila destruiu o chip usado para falar com o suspeito e ambas seguiram para a casa da mãe de Gleiciane, onde tomaram café da manhã antes de fugirem para Caucaia ao verem a movimentação policial.

Sequestro e invasão precederam o assassinato

Horas antes de matar o secretário, um grupo de aproximadamente cinco indivíduos invadiu um sítio e rendeu os moradores, aguardando as informações sobre o paradeiro da vítima coletadas por Laila e Gleiciane. Após receberem os detalhes exatos, quatro suspeitos pegaram o carro de um dos reféns para ir até o depósito, enquanto um criminoso permaneceu no sítio para garantir que os reféns não pudessem pedir ajuda. Depois do crime, os suspeitos fugiram e o veículo roubado foi abandonado, mostrando a complexidade da operação.

Contexto de ameaças e eventos recentes

Ricardo já havia sido ameaçado por Wesley Guaxinim devido à atuação da Polícia Militar, com um familiar da vítima tendo a casa atingida por tiros e o carro de Ricardo sendo alvo de vários disparos em 2024, embora ele não tenha ficado ferido. As ameaças incluíam citações diretas à atuação do Raio, com Guaxinim afirmando: "Se não tirar o Raio de São Luís do Curu, os tiros não vão ser mais nas casas".

A situação se agravou consideravelmente após a morte de Uesclei Pereira Balbino, conhecido como "Gringo" e irmão de Wesley Guaxinim, ocorrida no dia 12 de março, durante uma troca de tiros com policiais em Fortaleza. Além disso, a prisão de José Igor Sousa Meneses, o "Keka", apontado como braço direito de Guaxinim, teria sido o estopim final para a ordem de execução do secretário municipal.

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Legado e reações à tragédia

Ricardo Abreu Barroso era uma figura proeminente na comunidade, tendo sido vereador, presidente da Câmara Municipal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Luís do Curu. O atual prefeito e sobrinho de Ricardo, Tiago Abreu, publicou uma nota de pesar destacando a dedicação do tio ao serviço público e seu compromisso inabalável com a população, reconhecendo seu respeito e senso de responsabilidade. O velório e enterro ocorreram na tarde de sexta-feira (20), marcando um momento de luto coletivo.

As duas mulheres envolvidas no monitoramento, Laila e Gleiciane, foram presas nesta sexta-feira (20) em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, enquanto as investigações continuam para capturar os demais envolvidos e elucidar completamente os detalhes deste crime chocante que abalou o interior do Ceará.